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Há uma empresa na Nova Zelândia em que se trabalha quatro dias por semana. E está tudo bem

Anadolu Agency

A produtividade cresceu, o stress caiu e a ligação entre trabalhadores e empresa saiu beneficiada. "Isto é um presente, não é um direito", explica o fundador da empresa, Andrew Barnes

Não custa nada imaginar o email da empresa na caixa de correio: “Senhoras e senhores, a nossa semana de trabalho passará a ter apenas quatro dias”. Embora esse cenário pareça mais distante do que Neptuno está do sol, uma empresa na Nova Zelândia decidiu viver essa experiência.

O fundador da Perpetual Guardian, uma empresa que gere património, faz aplicações e investe dinheiro, foi ao programa da manhã da Radio Live contar como está a correr o teste, que arrancou em março. Resumindo, a produtividade cresceu, pois continuou a gerar o mesmo com menos um dia de trabalho, o stress caiu e a ligação entre trabalhadores e empresa saiu beneficiada.

“Os resultados foram excitantes. A produtividade subiu, os níveis de stress desceram”, garantiu Andrew Barnes. O fundador, que ainda terá de convencer a direção a manter o plano, diz que as pessoas ficaram mais confortáveis com a organização.

“As pessoas ficaram mais focadas”, conta, informando que a empresa perguntou aos trabalhadores como iam manter os níveis de produtividade com menos um dia de trabalho, em vez de lhes impor algo. O novo cenário, diz, deu mais poder ao staff.

Com esta lengalenga toda só falta ouvir “La vie en rose” de Édith Piaf, certo? Mas há o outro lado, naturalmente: a exigência é protagonista. “Contratualmente não foram reduzidas horas. Se não mantiverem a produtividade, tiramos de volta o presente”, explica Barnes, que surpreendeu ao dizer que os empregados não se adaptaram logo ao dia extra por conta deles. “Isto é um presente, não é um direito. Se me derem a produtividade, eu dou-vos o dia. É mútuo respeito”, insiste.

Barnes diz que “estamos todos condicionados a pensar que temos de passar cinco dias no escritório” e que não tem de ser assim. “Diria a todas as empresas na Nova Zelândia para experimentarem.”