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Bobby Wilson, o candidato do Arizona que não esconde ter matado a mãe para contestar as restrições ao uso e porte de armas

Mark Lewis/Getty

Plateia de um evento organizado pela Moms Demand Action ficou chocada com a intervenção do político

A iniciativa organizada pela associação Moms Demand Action na cidade de Tucson destinava-se a debater e promover leis mais restritivas sobre a posse e o uso de armas nos Estados Unidos, mas o grande acontecimento do dia acabou por surgir através de um candidato republicano ao senado do Arizona. Perante uma plateia estupefacta onde se encontravam vítimas e familiares de cidadãos mortos a tiro, Bobby Wilson assumiu uma posição contrária àquela que era subscrita pelos organizadores da sessão e, segundo a CBS News, defendeu que "a única forma de parar alguém que nos quer fazer mal é um homem bom com uma pistola".

Só mais tarde, as pessoas presentes no evento comprenderam que o orador estava a referir-se à sua própria experiência quando era jovem. Às primeiras horas da manhã de um dia de 1963, Bobby Wilson matou a própria mãe a tiro em legítima defesa. De acordo com a sua descrição, e que já tinha relatado num livro autobiográfico que foi publicado em 2010, o político foi alvejado pela mãe, que qualificou como "demente", quando se encontrava deitado na cama num quarto da casa rural em que a família vivia, no estado do Oklahoma.

Para se defender, Bobby Wilson pegou numa arma que tinha na sua posse e disparou sobre a sua progenitora que, naquela dia, matou a irmã do candidato ao senado estadual e pegou fogo à casa. "Tenho sorte por estar vivo", afirmou o político, aludindo à circunstância de ter podido recorrer a uma arma para impedir que a mãe, uma fugitiva que tentava escapar à justiça, segundo as suas palavras, o matasse.

Além de mencionar estes acontecimentos no livro "Bobby's Trials", Wilson, que diz não esconder nada sobre o seu passado, também os refere entre os dados autobiográficos que disponibiliza na sua página da Internet.

Apesar de, na intervenção que fez no evento da Moms Demand Action, Wilson ter omitido qualquer informação sobre as circunstâncias da morte da mãe, houve pessoas na plateia que ficaram chocadas, segundo afirmou Daniel Hernandez, um representante do Partido Democrático, entre elas Gabby Giffords, ex-membro do Congresso e ativista do “gun control” que foi alvejada em Tucson em 2011. Jacob Martinez, outro ativista que defende restrições ao uso e porte de arma, afirmou que a experiência de Wilson mostra ser necessário fornecer “apoio emocional” a quem necessita dele. "Ele devia saber melhor do que ninguém que é preciso fazer alguma coisa e o facto de ele não reconhecer isto diz muito àcerca dele", acrescentou Martinez.

Bobby Wilson não se revela incomodado com as críticas. Horas depois de ter discursado no evento da Moms Demand Action, colocou um post na sua página do Facebook em que afirmou ser o único candidato republicano que teve coragem para aparecer, apesar de ter sido recebido com apupos. "Adorei", confessou.

O controverso candidato esteve detido depois das mortes da mãe e da irmã e, na sequência de dois julgamentos, os tribunais arquivaram o caso no início dos anos 1970. O Arizona Republic assinalou que, na época em que os eventos aconteceram, os jornais publicaram relatos contraditórios sobre os pormenores do caso, incluindo a morte da irmã de Bobby Wilson.

Wilson, que disse ter sofrido de amnésia durante muitos anos, tem licença de uso e porte de arma, mas diz que jamais voltou a usá-la em legítima defesa. "Foi a única vez em que me encontrei numa situação daquelas e espero que tenha sido a última", disse o político.