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Paul Ryan admite novas sanções contra Moscovo: “Vamos ser muito claros: a Rússia interferiu nas nossas eleições”

Tom Williams

Apesar de afirmar compreender o desejo de estabelecer uma boa relação com Moscovo, o presidente da Câmara dos Representantes sublinhou que a Rússia não é um aliado dos EUA, mas sim "um governo ameaçador que não partilha os interesses e os valores" norte-americanos

O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Paul Ryan, admitiu esta terça-feira ponderar novas sanções contra a Rússia, após reiterar que o país interferiu nas eleições presidenciais norte-americanas, contrariando o Presidente.

"Vamos ser muito claros, para que todos saibam: a Rússia interferiu nas nossas eleições", disse Ryan e acrescentou: "O que pretendemos fazer é garantir que eles não saem impunes outra vez e também ajudar os nossos aliados".

Apesar de afirmar compreender o desejo de estabelecer uma boa relação com Moscovo, Ryan sublinhou que a Rússia não é um aliado dos EUA, mas sim "um governo ameaçador que não partilha os interesses e os valores" norte-americanos.

Ryan defendeu ainda que Robert Mueller, responsável pela investigação à interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016 "deve poder terminar a sua investigação".

As declarações de Ryan surgem depois da cimeira bilateral entre os presidentes norte-americano e russo, Donald Trump e Vladimir Putin, na segunda-feira em Helsínquia, após a qual Trump Donald Trump reafirmou que não houve “conluio” entre a sua campanha e os russos.

Trump tem sido criticado nos Estados Unidos por não ter confrontado Putin com as interferências russas nas eleições norte-americanas e por ter questionado as conclusões das agências dos serviços secretos norte-americanos sobre essas interferências.

Mesmo apoiantes de Trump, como Paul Ryan ou o presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado, Bob Corker, criticaram o seu desempenho na cimeira de Helsínquia.

As principais agências dos serviços secretos norte-americanas, incluindo a CIA e o FBI, dizem há meses ter provas de que a Rússia interferiu nas eleições presidenciais norte-americanas, mas descartam que a sua interferência tenha influenciado o resultado final, que permitiu a Trump ganhar a Hillary Clinton.

Na sexta-feira, o procurador-geral adjunto dos Estados Unidos, Rod Rosenstein, revelou a acusação a 12 oficiais de inteligência russa, por práticas de pirataria informática no ato que elegeu Donald Trump para a Presidência.

De acordo com informação do procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein, os russos foram indiciados de pirataria, numa investigação sobre a possível coordenação entre a campanha de Donald Trump e a Rússia.

Os russos são acusados de invadir as redes de computadores do Comité Nacional Democrata, do Comité Democrata de Campanha do Congresso e da campanha presidencial de Hillary Clinton, libertando depois correios eletrónicos roubados na Internet nos meses que antecederam a eleição.

Anteriormente, 20 pessoas e três empresas tinham já sido indiciadas na investigação à alegada ingerência russa nas últimas eleições, que o procurador especial Robert Mueller lidera.

Isso inclui quatro ex-elementos da campanha de Trump e assessores da Casa Branca e 13 russos acusados de participar numa campanha de redes sociais, para influenciar a opinião pública norte-americana na eleição de 2016.

O encontro entre os dois presidentes realizou-se no Palácio Presidencial em Helsínquia, no centro da capital finlandesa, que tem uma longa tradição no acolhimento de cimeiras Leste-Oeste.