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Nicarágua. Pelo menos mais dez mortos este domingo em confrontos entre manifestantes e forças leais ao Presidente

MARVIN RECINOS/AFP/Getty Images

No dia anterior, foi necessária a intervenção de bispos para a libertação de dezenas de estudantes, que se tinham refugiado dentro de uma igreja. Os manifestantes, sobretudo estudantes que o Governo apelida de terroristas, exigem a demissão do Presidente. Quase três meses de confrontos terão já resultado em mais de 300 mortos. O Governo fala em 51

A polícia da Nicarágua e grupos paramilitares leais ao Presidente Daniel Ortega mataram pelo menos 10 pessoas este domingo. A informação foi avançada pela Associação Nicaraguense dos Direitos Humanos, citada pela agência Reuters.

O mais recente episódio de violência num fim de semana particularmente conturbado ocorreu quando forças governamentais atacaram a cidade de Masaya, que fica a 25 quilómetros da capital do país, Manágua. No sábado, foi necessária a intervenção de bispos para a libertação de dezenas de estudantes, que se tinham refugiado dentro de uma igreja. Pelo menos uma pessoa morreu, vítima da chuva de tiros disparados por apoiantes de Ortega.

Os manifestantes, sobretudo estudantes que o Governo apelida de terroristas, exigem a demissão do Presidente desde que em abril Ortega impôs cortes nos programas de reforma e apoios sociais. O chefe de Estado acabaria rapidamente por recuar nos cortes, mas os protestos não cessaram.

Quase três meses de confrontos terão já resultado em mais de 300 mortos naqueles que são descritos como os protestos mais violentos no país desde o fim da guerra civil em 1990. As autoridades colocam o balanço em 51 mortos, incluindo quatro agentes da polícia que morreram na semana passada.

  • Uma onda de raiva

    Começou por ser um protesto contra uma revisão no esquema de Segurança Social em vigência mas acabou por se tornar um protesto generalizado que já fez 25 mortos. Os feridos podem ser mais de uma centena. Desde que começaram os protestos na Nicarágua, há menos de uma semana, cerca 43 pessoas “desapareceram”. As pilhagens e a violência tomaram conta de algumas das principais cidades do país

  • Greve geral paralisa Nicarágua. Braço de ferro entre Presidente e manifestantes mantém-se

    Protestos violentos provocaram a morte de pelo menos três pessoas, elevando para cerca de 160 o número de vítimas mortais em confrontos em dois meses. Para esta sexta-feira estão previstas novas negociações entre o Governo e as forças da oposição. Manifestantes exigem a demissão do Presidente, enquanto organizações internacionais acusam as autoridades de promover execuções extrajudiciais