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“Matei April Marie Tinsley”. A história do homicida que só foi descoberto e detido 30 anos depois

April Tinsley tinha oito anos quando o seu corpo foi encontrado em decomposição. Foi raptada e, muito provavelmente, violada. Foi em 1988, nos EUA. O responsável nunca foi encontrado - até agora. Em 2004, o mesmo homem deixou bilhetes e preservativos usados em bicicletas e na caixa do correio de quatro outras meninas

April Tinsley, oito anos, regressava de casa de uns amigos, tinha ido buscar o chapéu de chuva. No caminho, um homem agarrou-a e levou-a para a sua caravana. Violou-a e estrangulou-a até à morte. Foi a 1 de abril de 1988, em Fort Wayne, no estado norte-americano do Indiana. Passaram-se 30 anos e só este domingo a polícia deteve quem julga ser o culpado. “Sabe porque queremos falar consigo?”, questionou a polícia quando apareceu à porta de casa de John Miller. “April Tinsley”, respondeu apenas o homem de 59 anos.

Ainda esta segunda-feira, Miller foi presente pela primeira vez a tribunal. Está acusado de homicídio, pedofilia e rapto. O que aconteceu? “Não posso explicar”, começou por dizer Miller, segundo os documentos judiciais, citados pelo jornal diário “The Indianapolis Star”. Mas depois explicou: raptou April na avenida de Hoagland, no centro da cidade e a mais de 30 quilómetros do local onde o corpo viria a ser encontrado, forçou a criança a ter relações sexuais e para que ela não contasse nada à polícia sufocou-a. Demorou dez minutos até que April morresse.

O corpo ficou na caravana por algumas horas. Só na manhã seguinte, Miller pegou no cadáver, meteu-o no carro e conduziu até Spencerville. Cavou um buraco, colocou o corpo, tapou-o e foi-se embora.

Ninguém sabia de April. Era suposto ter saído e regressado em pouco tempo. Só tinha ido a casa de uns amigos buscar um chapéu de chuva. Os pais deram o alerta às autoridades, mas só três dias após o desaparecimento, refere a ABC, um homem que estava a correr encontrou o corpo. A polícia confirmou: o cadáver era de April Marie Tinsley.

O responsável não foi identificado. As autoridades tinham o ADN do assassino, devido à violação, mas não conseguiram identificar a quem pertencia. Entretanto, a família de April deixou a cidade em 1991 e só regressou há cinco anos. A primeira grande pista só viria a surgir 16 anos após o crime.

“Olá, querida. Tenho-te observado”

“Matei April Marie Tinsley de oito anos. E matarei outra vez.” A mensagem entre o aviso e a ameaça apareceu, em 1990, escrita na porta de um celeiro da cidade. Uma vez mais, a polícia não conseguiu identificar o autor. Só em 2004, o caso de April ganhou um novo fulgor quando quatro outras crianças receberam bilhetes, deixados nas bicicletas e na caixa de correio.

“Olá, querida. Tenho-te observado. Sou a mesma pessoa que raptou, violou e matou April Tinsely. Aqui está um presente para ti, és a minha próxima vitima”, lia-se nas notas enviadas pelo homicida e que eram sempre acompanhadas por um preservativo usado e uma fotografia, segundo notícias da CNN da época. O ADN dos preservativos correspondia àquele que foi encontrado no corpo de April, mas a polícia continuava sem conseguir identificar a quem pertencia - nesta fase, o FBI juntou-se à investigação.

“Este criminoso demonstrou que tem ligações muito fortes à cidade. O mais provável é que viva aqui, trabalhe e faça as suas comprar nas lojas locais. Podem estar ao lado dele na fila para pagar ou sentados ao lado dele na missa ou a trabalhar ao lado dele na linha de produção”, lia-se num perfil divulgado pelo FBI, citado pela CNN, em 2009. As autoridades acreditavam que se tratava de um homem que nunca tinha deixado Fort Wayne e com idade entre os 40 e 50 anos. O que agora se confirmou.

Anos mais tarde, um dos investigadores insistiu que as provas recolhidas fossem enviadas novamente para laboratório. Em maio deste ano, os resultados ficaram reduzidos a duas pessoas: Miller e o irmão. Desde então, a polícia colocou-os sob vigilância e, no começo de julho, foram recolhidos do lixo de Miller preservativos usados. Os resultados corresponderam e, este domingo, o homem foi detido.