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Internacional

EUA. Mulheres detidas são recrutadas por traficantes sexuais e acabam na prostituição

STR/AFP/Getty Images

Segundo uma investigação do jornal “The Guardian”, os proxenetas recorrem a outros detidos para fazerem amizade com as mulheres que, uma vez libertadas, passam a integrar a lucrativa indústria do sexo comercial nos Estados Unidos. O sistema de fianças é igualmente usado em alguns estados do país: os traficantes pagam-nas, conseguindo a libertação das mulheres. Uma vez libertadas, estas são informadas de que terão de trabalhar como prostitutas ou voltam para a prisão

Mulheres em prisões dos EUA estão a ser recrutadas por traficantes sexuais que as empurram para a prostituição quando são libertadas. A conclusão é de uma investigação do jornal inglês “The Guardian”, que revela que os traficantes usam sites governamentais para obterem informações pessoais, incluindo fotografias, datas de libertação e documentos de acusação, com o intuito de identificarem potenciais vítimas enquanto estas ainda estão presas.

Os proxenetas também recorrem a outros detidos para fazerem amizade com as mulheres que, uma vez libertadas, passam a integrar a lucrativa indústria do sexo comercial nos Estados Unidos que, segundo o jornal, movimenta mais de oito mil milhões de euros. O diário encontrou igualmente casos em que o sistema de fianças é usado em operações de tráfico sexual em pelo menos cinco estados americanos: Florida, Texas, Ohio, Carolina do Norte e Mississípi.

Neste esquema, as mulheres são localizadas através de valores de fianças colocados online ou de agentes corruptos. Em seguida, os traficantes pagam as fianças, conseguindo a libertação das mulheres. Uma vez libertadas, estas são informadas de que terão de trabalhar como prostitutas ou voltam para a prisão.

Prisões são locais de recrutamento para tráfico humano

Ao longo da investigação, o “Guardian” reuniu depoimentos de mais de 20 vítimas de tráfico sexual em onze estados do país, além de agentes, advogados, procuradores e traficantes sexuais condenados, e todos eles confirmam que as prisões estão a ser usadas como locais de recrutamento por traficantes de seres humanos. A prostituição controlada por proxenetas é considerada uma das formas mais brutais e generalizadas de tráfico humano nos EUA.

Atualmente, há 1,2 milhões de mulheres sob a supervisão do sistema de justiça criminal norte-americano. Trata-se da maior proporção de sempre entre a população presa, com um número oito vezes maior do que em 1980, revela o jornal.