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Candidato da esquerda a caminho da vitória nas presidenciais de domingo no México

Pedro Mera / Getty Images

“Vou governar de forma exemplar, e com austeridade. Apenas vou receber metade do salário do atual Presidente e continuar a viver em minha casa”, prometeu Andrés Manuel López Obrador, candidato de esquerda, que se caracteriza como o grande favorito às eleições de domingo no México

Os mexicanos votam no domingo em eleições presidenciais históricas e em que o candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador surge como o grande favorito face aos partidos tradicionais.

A terceira tentativa de ocupar a presidência parece quase garantida para este veterano da esquerda mexicana, 64 anos e designado AMLO pelos seus apoiantes, que se apresenta à frente de uma coligação dirigida pelo Movimento Regeneração Nacional (Morena) e quando o Presidente cessante Enrique Peña Nieto termina o seu mandato de seis anos assinalado pela persistência da violência.

Uma vitória de AMLO significará uma profunda alteração da cena política mexicana, que desde 1988 gira em torno de três formações, o Partido Revolucionário Institucional (PRI, centrista), o Partido Ação Nacional (PAN, direita) e o Partido da Revolução Democrática (PRD, centro-esquerda).

A presidência de Peña Nieto, proveniente do PRI - partido que governou o México sem interrupção entre 1929 e 2000 - também ficou assinalada por reformas controversas, incluindo a privatização da companhia petrolífera estatal Pemex, diversos escândalos de corrupção e violações dos direitos humanos.

As últimas sondagens fornecem a AMLO, que se apresenta pela coligação "Juntos Faremos História", cerca de 54% das intenções de voto, uma vantagem entre 20 a 30 pontos face a Ricardo Anaya Cortéz, que dirige a coligação de direita e de centro-esquerda "Pelo México à Frente" (que integra o PAN, o PRD e o Movimento Cidadão), e que disputa a segunda posição com o candidato do PRI, José Antonio Meade, da frente "Todos pelo México". O independente Jaime Rodriguez Calderón, conhecido como "El Bronco", surge na última posição com cerca de 3%.

No caso de confirmação destes prognósticos nas eleições de domingo, López Obrador deverá enfrentar desafios gigantescos e que têm mobilizado grande parte dos 89,1 milhões de eleitores convocados para o escrutínio, em que também vão ser eleitos representantes para 3.495 cargos públicos federais, estatais e municipais em 30 dos 32 Estados do país.

Para além do urgente combate à corrupção e violência generalizadas, atribuídas ao narcotráfico, AMLO será forçado a confrontar o Presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou romper o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês e que também abrange o Canadá), para além de pretender iniciar a construção de um muro na fronteira comum após acusar o seu vizinho do sul de "nada fazer" contra a imigração clandestina proveniente da América Central.

Numa campanha eleitoral já definida por vários especialistas como "a mais violenta" da história do país, os últimos números divulgados indicam que 133 políticos ou ativistas envolvidos no atual escrutínio foram assassinados.

Perante este cenário, e na perspetiva de uma subida ao poder, López Obrador e o seu círculo mais próximo optaram por uma atitude cautelosa ao prometerem durante a campanha "não espiar nem reprimir" e garantir o "direito à crítica e à divergência", para além de moderarem as suas propostas económicas.

O candidato da coligação "Juntos Faremos História" considera que a corrupção é a principal causa de todos os graves problemas do país, incluindo a violência incontrolável, e que tem condições para a combater e eliminar.

"Vou governar de forma exemplar, e com austeridade. Apenas vou receber metade do salário do atual Presidente e continuar a viver em minha casa", prometeu AMLO num vídeo amplamente difundido nas redes sociais.

O seu estilo contrasta com o perfil tecnocrático de Meade e Anaya, e o seu discurso seduz um eleitorado que para além das classes populares também mobiliza os jovens e os setores mais educados, como ficou patente no comício de final de campanha de quinta-feira, que juntou 80.000 pessoas no Estádio Azteca da Cidade do México.

O "melhor comunicador político" do país, como é definido por diversas analistas, moderou, contudo, a sua retórica de esquerda e parece disposto em promover alianças através do espetro político mexicano.

Uma nova abordagem que terá extraído na sequência das duas anteriores eleições presidenciais em que foi derrotado e assinaladas por denúncias de fraude eleitoral em larga escala e grandes protestos populares liderados por AMLO, em particular no escrutínio de 2006.