Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Rússia. Investigador das atrocidades estalinistas foi novamente preso

Iouri Dmitriev, 62 anos, dirige o "Memorial", a principal organização russa de defesa de Direitos do Homem, na Carélia, região russa que faz fronteira com a Finlândia

O historiador russo Iouri Dmitriec, conhecido pelas investigações sobre os cidadãos desaparecidos durante o terror estalinista, foi novamente preso, depois de ter sido detido por alegado envolvimento num caso de fotografias pornográficas a menores.

“Ele foi preso ontem [quarta-feira] sob uma nova acusação”, disse à agência France Presse Viktor Anoufrieve acrescentando que o historiador vai ser presente a um juiz no noroeste da Rússia que vai decidir o eventual local de detenção.

Iouri Dmitriev, 62 anos, dirige o "Memorial", a principal organização russa de defesa de Direitos do Homem, na Carélia, região russa que faz fronteira com a Finlândia.

Dmitriev foi acusado anteriormente de autoria de imagens “pornográficas” da filha adotiva tendo, por isso, permanecido um ano detido em regime de prisão preventiva, apesar de ter desmentido os factos.

No princípio do passado mês de abril, a acusação sobre as fotografias foi retirada, mas as autoridades judiciais acusaram o historiador de posse ilegal de armas.

O tribunal pediu uma pena de dois anos e meio de prisão para Iouri Dmitriev no caso das armas mas o julgamento acabou por ser anulado por um outro tribunal.

De acordo com o advogado, a nova detenção ocorrida na quarta-feira tem como base novas declarações da avó da filha adotiva do historiador.

Apoiantes do historiador afirmaram hoje que o novo caso e a atual detenção é uma tentativa de intimidação por causa dos trabalhos desenvolvidos por Dmitriev sobre os anos “mais sombrios” da história da União Soviética.

Durante os últimos trinta anos, Iouri Dmitriev elaborou uma lista com mais de 40 mil nomes de pessoas da Carélia que foram executadas e deportadas durante o regime estalinista (1924-1953).

Dmitriev é igualmente responsável pela descoberta de uma vala comum em Sandarmokh, na região da Carélia, onde foram fuziladas mais de nove mil pessoas pelas autoridades soviéticas.