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Primeiro-ministro espanhol em entrevista: “O desafio da Europa é a eurofobia”

Susana Vera/Reuters

Pedro Sánchez afirmou que “mesmo que a retórica inflamada de alguns líderes italianos possa ser eficaz em termos eleitorais, do ponto de vista da resposta efetiva a crises humanitárias, não é a resposta”. Quanto à questão catalã, o chefe do Executivo disse acreditar que a autodeterminação só iria fraturar ainda mais a Catalunha, mas mostrou-se disponível para falar sobre alterações à Constituição quando os ânimos acalmarem

As decisões unilaterais e os discursos incendiários não são a resposta para a crise migratória, defende o novo primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, numa entrevista publicada esta quinta-feira pelos jornais “Le Monde”, “The Guardian” e “Frankfurter Allgemeine Zeitung”. Defendendo um acordo europeu sobre as questões migratórias, Sánchez disse que “o desafio da Europa é a eurofobia”.

A entrevista conjunta aconteceu à margem da cimeira de dois dias em que uma União Europeia profundamente fragmentada discute a resposta a dar aos migrantes que chegam ao continente. Para o chefe do Executivo espanhol, é necessário considerar a migração como um problema comum, em vez de um problema que afeta Estados-membros individualmente. Sánchez apela, por isso, a uma “resposta partilhada para um desafio partilhado”.

Sem nunca referir o nome de Matteo Salvini, o ministro italiano do Interior, que, tal como o Governo de Malta, virou as costas às 630 pessoas a bordo do navio “Aquarius”, Sánchez referiu que essa recusa pouco contribuiu para aliviar a situação no Mediterrâneo. “O Governo italiano precisa de refletir sobre se o unilateralismo é uma resposta eficaz a um desafio global como as migrações. Eu sou mais a favor da cooperação. É importante falar com o Governo líbio sobre o reforço dos mecanismos de fronteira” no país, disse. “Mesmo que a retórica inflamada de alguns líderes italianos possa ser eficaz em termos eleitorais, do ponto de vista da resposta efetiva a crises humanitárias, como a que estamos a assistir no Mediterrâneo e na costa italiana, não é a resposta”, acrescentou.

Catalunha tem de respeitar lei e unidade mas Constituição pode ser alterada

Sobre a questão catalã, Sánchez disse que a crise provavelmente sobreviveria a este Governo e ao próximo, pelo que exigiria “muita dedicação, generosidade e tempo”. O novo Presidente da Catalunha, Quim Torra, tem de respeitar a lei e a unidade de Espanha, sublinhou, ressalvando, no entanto, que a Constituição espanhola poderia ser revista, assim que a temperatura baixasse, para reexaminar os poderes dos Governos central e regional. O primeiro-ministro diz-se, ainda assim, convencido de que a autodeterminação só iria fraturar ainda mais a Catalunha.

“Há muito mais consenso no Parlamento do que parece”

Quanto à composição do seu Executivo, Sánchez afirmou ser fruto das recentes mudanças na política e na sociedade espanholas, dando como exemplo a maioria feminina no elenco governativo.

Apesar de o seu partido, o PSOE, ter apenas 84 dos 350 assentos no Parlamento, o primeiro-ministro acredita que “há muito mais consenso no Parlamento do que parece”, acrescentando que o seu Governo está a trabalhar para apresentar em breve projetos-lei para a reforma laboral e a legalização da eutanásia.

Ao contrário do Executivo de Mariano Rajoy, que “governava contra o Parlamento”, “este Governo governará com o Parlamento”, concluiu.