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Internacional

Buzz Aldrin, segundo homem a pisar a lua, processa os filhos por o explorarem e “difamarem”

Cooper Neill/Getty

Dono de um património considerável, o lendário astronauta quer retomar o controle dos seus assuntos financeiros e pessoais

Luís M. Faria

Jornalista

O segundo homem a pisar a lua, Buzz Aldrin, atualmente com 88 anos, pediu a um juiz que retirasse aos seus filhos mais novos o poder de gerirem os seus assuntos financeiros. O processo, interposto num tribunal da Florida há dias, segue-se a um outro em que os filhos alegam que o declínio cognitivo do pai o torna vulnerável a ser explorado por pessoas próximas e pedem para ficar com os interesses dele a cargo.

O conflito envolve igualmente uma antiga assistente de longa data de Aldrin, e tem a ver com a gestão dos interesses comerciais do astronauta, bem como da sua fundação, que promove a educação dos jovens. Entre outras coisas, Aldrin acusa os seus filhos de exploração de um idoso. Um deles, Andrew, terá desviado quase meio milhão de dólares para contas pessoais. Ele e a sua irmã Janice estarão também a tentar afastá-lo de outras pessoas, impedindo-o de ter uma vida amorosa (Aldrin, que se separou há uns anos, tem uma namorada nova).

"Cartões de crédito pessoais, contas bancárias, memorabilia espacial, artefactos do espaço, e contas nos social media" são, explica Aldrin no processo, "elementos da sua marca pessoal", cujo controlo ele deseja retomar. Embora tenha revogado os poderes especiais concedidos ao seu filho, isso parece não estar a ter efeito, e nem ele nem Janice respeitam a vontade do pai.

Desde a ida à lua em 1969, Aldrin tornou-se uma pequena indústria por direito próprio, com livros, conferências, aparições nos media, t-shirts e muitos outros objetos em produção contínua. As acusações de que estaria demente e com Alzheimer ter-lhe-ão doído especialmente, e diz que os filhos estão a difamá-lo. Em abril, fez-se examinar por um psiquiatra de geriatria, cujo veredito foi inequívoco: "Acredito que (Aldrin) é perfeitamente apto satisfazer as suas necessidades de saúde física, comida, roupa e alojamento, e é substancialmente capaz de gerir as suas finanças e resistir a fraude e influências indevidas".

Num recente programa de televisão, Aldrin disse sentir-se mais enérgico que nunca, garantindo: "Há menos confusão e mais claridade". Andrew e Janice,por sua vez, alegam que o pai sofre de "perda de memória, confusão, ilusões, paranóia e comportamento estranho" e que isso está a ser explorado por terceiro em benefício próprio. Caberá ao tribunal decidir. Terça e quarta-feira devem ter sido realizados três exames que o tribunal ordenou, e falta saber os resultados.