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Internacional

Trump e a produção da Harley-Davidson fora dos EUA. “Estou surpreendido por serem os primeiros a agitar a bandeira branca”

NICHOLAS KAMM

A administração da empresa informa que, devido às novas taxas alfandegárias, as motas que exporta dos Estados Unidos para a Europa teriam um custo extra de 1.900 euros. Presidente norte-americano fala em "desculpas"

A bandeira branca representa uma desistência, uma derrota numa qualquer batalha. Foi assim que Donald Trump decidiu traduzir a decisão da Harley-Davidson, que vai começar a fabricar motas fora dos Estados Unidos. E tudo porque a União Europeia aumentou as taxas alfandegárias… em resposta ao protecionismo de Trump.

“Surpreendido que seja a Harley-Davidson, de todas as empresas, a primeira a agitar a bandeira branca”, escreveu o presidente norte-americano no Twitter. “Eu lutei muito por eles e acabariam por não pagar os impostos ao vender para a União Europeia, que nos prejudicou muito. Os impostos são uma desculpa.”

E continuou: “Uma Harley-Davidson nunca deveria ser construída noutro país! Os empregados e clientes estão muito zangados com eles. Se eles mudarem, atenção, será o começo do fim. Eles renderam-se, desistiram! A aura acabará e serão tributados como nunca!”.

Noutros tweets, Trump deu conta de que a Harley-Davidson anunciara, no início de 2018, a mudança para a Tailândia, referindo que nessa altura ainda não haviam sido anunciadas as novas medidas alfandegárias. “Estão a usar as tarifas como uma desculpa.”

A Harley-Davidson anunciou na segunda-feira a intenção de ter fábricas fora do país. "Aumentar a produção internacional [fora dos EUA] não é a preferência da empresa, mas representa a única opção sustentável para tornar acessíveis as motas para os clientes da UE e manter um negócio viável na Europa", esclareceu a empresa numa declaração aos acionistas. A Harley-Davidson anunciou que concluirá a transferência de parte de sua produção num período entre nove e 18 meses.

Na conferência com os acionistas, a administração da empresa informou que, devido às novas taxas, as motas que exporta dos Estados Unidos da América para a Europa teriam um custo extra de 2.220 dólares (cerca de 1.900 euros ao câmbio atual). Segundo dados da Harley-Davidson, 40 mil pessoas da Europa compraram motas da marca em 2017, tornando o mercado europeu a segunda fonte de receitas da empresa.

As tarifas impostas pela UE sobre vários produtos fabricados nos Estados Unidos, como motas ou uísque, entraram em vigor em 22 de junho e aumentaram o imposto sobre as motas Harley-Davidson exportadas "de 6% para 31%".