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“Cuidado com o que deseja, Max”, ameaça Trump. Da “tolerância zero” na imigração à guerra de palavras no Twitter

Maxine Waters, a congressista democrata que está no centro de nova polémica com Trump

Rachel Woolf/The Washington Post/Getty Images

No sábado, a congressista democrata, Maxine Waters, encorajou os militantes do partido a perseguirem publicamente elementos da administração Trump. O Presidente não gostou e, em tom ofensivo, acusou-a de incitar à violência, não poupando também Nancy Pelosi. A líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes respondeu-lhe, mas repreendeu igualmente Waters, que entretanto já veio rejeitar as acusações, acusando, por sua vez, Trump de mentir novamente

“Cuidado com o que deseja, Max!” O tweet, em tom de ameaça, é do Presidente dos EUA, Donald Trump, que esta segunda-feira se envolveu numa azeda troca de palavras com o Partido Democrata. No sábado, durante um comício em Los Angeles, a congressista Maxine Waters encorajou os militantes do partido a perseguirem publicamente elementos da administração Trump.

A polémica, que não é inédita, estalou na sexta-feira quando a porta-voz do Presidente norte-americano, Sarah Sanders, foi expulsa do restaurante italiano Red Hen. “Não sou grande apreciadora do confronto. Tenho um negócio e quero que o negócio prospere. Este parece ser o momento na nossa democracia em que as pessoas precisam de agir e tomar decisões desconfortáveis para manter a sua moral”, justificou-se a dona do restaurante, Stephanie Wilkinson, ao jornal “The Washington Post”.

No dia seguinte, ao mais recente incidente do género, a democrata Maxine Waters disse: “Se virem alguém da administração num restaurante, num hipermercado, num posto de gasolina, saiam, criem uma multidão e façam-no(a) recuar. Digam-lhes que já não são bem-vindos, em lugar nenhum”.

Em resposta, Trump escreveu no Twitter: “A congressista Maxine Waters, uma pessoa com um QI extremamente baixo, tornou-se, juntamente com Nancy Pelosi, o rosto do Partido Democrata. Ela acaba de incitar a que se faça mal aos apoiantes, que são muitos, do movimento Make America Great Again [Fazer a América Grande Outra Vez]. Cuidado com o que deseja, Max!”.

Nancy Pelosi, a líder dos democratas na Câmara dos Representantes, também não gostou da atitude de Waters, repreendendo-a no Twitter, mas criticando igualmente o Presidente.

“Nos próximos meses cruciais, devemos esforçar-nos por tornar a América bela outra vez. A falta diária de civilidade de Trump provocou respostas que são previsíveis mas inaceitáveis. À medida que avançamos, temos de realizar eleições de uma forma que alcance a unidade de uma costa à outra”, escreveu.

Pelosi referia-se às eleições intercalares para o Senado e para a Câmara dos Representantes, marcadas para 6 de novembro. A expressão “from sea to shining sea”, que é usada no sentido em que aqui foi traduzida — ou seja, “de uma costa à outra” —, tem a sua origem na canção patriótica “America the Beautiful”, escrita no final do século XIX.

Em entrevista ao canal de televisão MSNBC, Maxine Waters esclareceu que não pediu que se fizesse mal a ninguém, acusando o Presidente de “mentir novamente”. “Na verdade, acredito no protesto pacífico. Acredito que o protesto está no centro da nossa democracia. Acredito que a Constituição nos garante liberdade de expressão. E penso que esse protesto é civil”, acrescentou. Afirmando desconhecer por que razão o Presidente tentou sugerir que ela tinha apelado a que se fizesse mal a alguém, Waters concluiu: “Na verdade, o Presidente incita a mais violência do que qualquer outra pessoa”.

A “política zero” de Trump em relação a migrantes sem documentos, que separou pais e filhos, tem motivado episódios semelhantes a este. Na semana passada, a secretária do Departamento de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, foi vaiada num restaurante mexicano, enquanto a procuradora-geral da Florida, Pam Bondi, teve de ser escoltada pela polícia quando saía do cinema.