Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Números contraditórios na Turquia: Erdogan apontado como vencedor à primeira volta, oposição tem números diferentes

Presidente turco, Recep Erdogan, acompanhado da mulher, Emine Erdogan, num comício pré-eleitoral em Saravejo, o único fora da Turquia antes das eleições de 24 de junho

OLIVER BUNIC/AFP/Getty Images

Agência estatal turca Anadolu avança que o atual presidente deve ser reeleito com ampla maioria, mas há dados contraditórios e a oposição não concede a derrota

Após a contagem de 50,3% dos votos, Recep Tayyip Erdogan lidera os resultados eleitorais com 56,5%, enquanto o social-democrata Muharrem Ince tem 28,6%, diz a agência oficial da Turquia.

Os números divergem dos dados divulgados pela plataforma Adil Seçim, formada pelos partidos da oposição, e que dão a Erdogan 43% dos votos, contra 34% de Ince, após a contagem de 12% de sufrágios.

Ince tinha advertido os seus apoiantes, pouco depois do encerramento das urnas, para que não se deixassem impressionar com os primeiros resultados, porque, defende, as autoridades divulgam sempre primeiro os resultados de municípios próximos do partido de Erdogan, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), e do chefe de Estado.

O candidato Selahatiin Demirtas, detido, reunia perto de 6% dos votos.

Se nenhum dos candidatos à presidência conseguir mais de 50% dos votos, a segunda volta realiza-se em 8 de julho.

Cerca de 56 milhões de cidadãos foram chamados este domingo às urnas para eleger o Presidente e um novo parlamento, numas eleições consideradas decisivas porque são um passo para a implementação da reforma constitucional aprovada em 2017, que entrega todos os poderes executivos ao chefe de Estado.

  • Uma coligação de estranhos

    O Presidente turco, Recep Erdogan, tem mais poder do que nunca mas nunca esteve tão perto de o perder. A primeira volta das eleições presidenciais realiza-se este domingo e coincide com as parlamentares, uma estreia na democracia turca. A oposição está unida numa coligação de estranhos, unidos contra Erdogan. O secularismo está em risco de erosão ou vai sair reforçado?