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Líder do partido que governa a Roménia condenado a três anos e seis meses de prisão por abuso de poder

DANIEL MIHAILESCU/AFP/Getty Images

Liviu Dragnea, que muitos consideram o político mais poderoso do país, deverá recorrer da decisão. O líder do PSD foi considerado culpado de intervir para manter dois funcionários do partido, que não exerciam trabalho estatal, na folha de pagamentos pública entre 2006 e 2013, quando era um líder local. O Governo romeno tem tentado, por diversas formas, enfraquecer os poderes dos tribunais

O Supremo Tribunal da Roménia condenou esta quinta-feira o líder do Partido Social-Democrata (PSD), que governa o país, Liviu Dragnea, a três anos e seis meses de prisão por abuso de poder. Segundo o jornal “The New York Times”, embora seja provável que Dragnea recorra da decisão, trata-se de um duro golpe para o dirigente, que muitos consideram o político mais poderoso do país.

Dragnea foi considerado culpado de intervir para manter dois funcionários do partido, que não exerciam trabalho estatal, na folha de pagamentos pública entre 2006 e 2013, quando era um líder local. O tribunal ilibou-o de uma outra acusação de falsificação intelectual.

O veredito, que já tinha sido adiado duas vezes, foi recebido com otimismo mas também com cautela por muitos romenos, que têm testemunhado um aumento dos ataques oficiais ao sistema de justiça. O próprio líder do PSD e os seus apoiantes afirmam que ele foi vítima de uma cabala de um “Estado paralelo”.

Em janeiro do ano passado, o Governo romeno aprovou um decreto de emergência que, na prática, descriminalizava a corrupção de baixo nível, o que desencadeou os maiores protestos no país desde a queda do comunismo em 1989.

O Governo viria a recuar na decisão, mas continuou a tentar atacar os poderes dos tribunais. No início desta semana, o Parlamento romeno aprovou uma revisão da legislação sobre justiça criminal, que muitos consideram que poderá enfraquecer ainda mais os esforços na luta contra a corrupção.

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    Entre 200 mil e 300 mil pessoas saíram na noite desta quarta-feira às ruas de várias cidades da Roménia, um dia depois de o Governo ter assinado um decreto de emergência que descriminaliza certos tipos de corrupção e que só prevê penas de prisão em casos de abuso de poder que resultem em perdas financeiras superiores aos 44 mil euros. Medida é vista como tentativa de proteger membros do partido no poder, incluindo Liviu Dragnea, ex-primeiro-ministro que em 2016 foi condenado por fraude eleitoral e que atualmente está a ser julgado pelo alegado desvio de 24 mil euros

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    Cerca de 500 mil pessoas, segundo números avançados por alguns meios de comunicação, manifestaram-se este domingo em Bucareste e noutras cidades do país, exigindo a demissão do Governo social-democrata de Sorin Grindeanu. Ainda que o primeiro-ministro tenha recuado na intenção de aprovar o controverso decreto que descriminaliza determinados atos de corrupção, as pessoas “querem ter a certeza de que os seus protestos são ouvidos”