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Salvini sobre barco com 224 migrantes: “Levem essa carga de seres humanos para a Holanda!”

Matteo Salvini

FLAVIO LO SCALZO // LUSA

Ministro da Administração Interna italiano acusa as ONG que salvam vidas no Mediterrâneo de serem agentes do tráfico de seres humanos

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

Editor da Secção Internacional

O ministro da Administração Interna italiano proibiu hoje mais um navio que transporta migrantes de aportar no seu país. “Fizeram uma mostra de força ao contrariar as indicações da guarda costeira italiana e líbia. Agora, levem essa carga humana para a Holanda”, ordenou Matteo Salvini.

Falando em direto na rede social Facebook, Salvini, também líder da Liga (extrema-direita) acusou o barco, de bandeira holandesa e operado pela ONG alemã Lifeline, de apoio aos migrantes, de ter “embarcado 224 migrantes ilegais, à força, em águas líbias”, ignorando os avisos das autoridades. “Quero salvar vidas, mas os italianos pagam-me para defender a segurança dos cidadãos italianos”, justificou.

“Não aceito que haja organizações de pseudo-voluntários a pôr em perigo a vida de quem foge de África e depois pense desembarcá-los todos em Itália”, continuou Salvini, para quem as organizações que salvam vidas no mar Mediterrâneo “não fazem voluntariado, antes ajudam ao tráfico de seres humanos”. São, assegura, “falsos socorristas que olham mais para a carteira do que para o salvamento de vidas”.

“Não voltarão a tocar solo italiano!”

A seu ver, a vontade do povo italiano é “travar a máfia da imigração ilegal”. O político, conhecido pelas suas posições xenófobas, garante que “essas ONG estrangeiras, com pessoal estrangeiro, financiamento estrangeiro e bandeiras estrangeiras não voltarão a tocar solo italiano”

A Lifeline anunciara no Twitter, esta manhã, estar a salvar 300 a 400 pessoas, pedindo “reforços da guarda costeira italiana ou de navios mercantes”. Mas Salvini anunciara desde o fim-de-semana, na sequência da situação do navio “Aquarius” (finalmente acolhido em Valência, Espanha), que Itália não admitiria embarcações em missão humanitária.

Um dedo no olho por seis mil milhões

Salvini — que também é vice-primeiro-ministro no Executivo de Giuseppe Conte, uma coligação entre a Liga e o antissistema Movimento 5 Estrelas — também mostrou irritação em relação o anteprojeto de resolução para a cimeira europeia informal do próximo domingo sobre migrações. “Será arquivado”, previu. “É uma piada, por isso não o assinaremos.”

O ministro ameaça vetar qualquer acordo que não satisfaça as suas exigências de distribuição mais equitativa dos candidatos a asilo que chegam à Europa. E admite mesmo rever o contributo italiano para o orçamento comunitário. “Não podemos pagar seis mil milhões de euros à UE por ano e aceitar que nos espetem um dedo no olho”, afirmou em entrevista à RAI.

O primeiro-ministro Conte afirma que “Itália foi deixada sozinha a lidar” com o problema das novas chegadas de migrantes e considera “inaceitável participar numa cimeira com um texto pré-embalado”. Afirma ter esclarecido com a chanceler alemã, Angela Merkel, que as versões divulgadas ao longo desta semana não são para levar a sério.

O Governo de Roma quer quotas que aliviem os países onde os migrantes chegam inicialmente, como Itália, Grécia e Espanha. Também exige que França não devolva os candidatos a asilo registados em Itália que cruzaram a fronteira.