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Médicos sem Fronteiras pedem desculpa e apelam à denúncia de casos de assédio sexual

PASCAL GUYOT/ Getty Images

Os Médicos Sem Fronteiras apelam a que quem tenha sido “submetido a assédio, abuso ou outra forma de maus-tratos” que denuncie as situações “através dos mecanismos confidenciais” da organização para que possam ser tomadas medidas. Esta quinta-feira, num programa da BBC, um grupo de antigas funcionárias disse ter sido vítima de assédio

“Não pudemos confirmar as alegações específicas feitas na reportagem da BBC”. A garantia é dada pela organização dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), cujo pessoal logístico – grupo que exclui médicos ou enfermeiros – foram acusados de abuso, assédio, exploração e, ainda, do recurso a prostitutas durante as missões em África. A organização não-governamental pede desculpa e apela a quem possa ter sido vítima dessas situações que denuncie “através dos mecanismos confidenciais”.

“Não toleramos abuso, assédio ou exploração dentro dos MSF. Pedimos desculpas por quaisquer casos em que pessoas tenham sido submetidas a assédio, abuso ou outra forma de maus-tratos e/ou sentiram que não foram tratadas adequadamente”, lê-se num comunicado enviado ao Expresso. “Analisámos as alegações feitas pela BBC até onde éramos capazes, mas a falta de detalhes impôs dificuldades. Pedimos a todos os que tiverem alguma questão que denunciem através dos mecanismos confidenciais dos MSF para que possamos agir.”

A ONG admite ainda que, apesar dos mecanismos existentes para “prevenir, detetar e responder a problemas de má conduta dos profissionais”, os Médicos Sem Fronteiras não estão imunes a estes problemas e que todas as acusações são seriamente consideradas. E, que caso sejam confirmadas, são impostas sanções que podem chegar à demissão.

“Saudamos o escrutínio atual, pois é isso que permite a mudança dentro e fora dos MSF. Quanto mais as pessoas falam sobre essas questões, mais isso desencoraja comportamentos inaceitáveis e incentiva as pessoas a denunciarem”, referem, lamentando que as “pessoas não se sintam capazes de levar as denúncias adiante”.

Esta quina-feira, um grupo de oito antigas funcionárias da ONG contaram a história no programa de Victoria Derbyshire, na BBC. Uma disse que um superior lhe dava medicação em troca de sexo. Outra, que trabalhou com seropositivos na África Central, garantiu que o recurso a prostitutas locais era “generalizado”. E uma terceira garantiu que o assédio sexual - de que também ela foi vítima - e a troca de medicamentos por sexo são comportamentos “endémicos” e fazem “parte da instituição”.

  • Médicos Sem Fronteiras acusados de assédio sexual e recurso a prostitutas

    A denúncia é feita por antigas funcionárias da organização não-governamental em secções europeias e africanas. A troca de medicamentos por sexo foi outra das alegações feitas em relação a pessoal da logística e não a médicos e enfermeiros. Em resposta, a instituição disse que não tolera “abuso, assédio ou exploração”