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Internacional

Kofi Annan: a mordida de cobra é “a maior crise de saúde pública de que nunca se ouviu falar”

Kirill Kukhmar

Ex-secretário-geral das Nações Unidas e Nobel da Paz em 2001 escreveu um texto no El Mundo a dar conta deste fenómeno pouco falado, que matará entre 81 mil e 138 mil pessoas por ano

As mordidas de cobra matam entre 81 e 138 mil pessoas por ano, um número que até pode ser bem maior caso existissem outras ferramentas para monitorizar este fenómeno. Ou, como escreveu Kofi Annan num texto para o El Mundo, “a maior crise de saúde pública que nunca se ouviu falar”, que “tem passado despercebida até hoje”. Annan, o presidente da Fundação Kofi Annan, foi secretário-geral das Nações Unidas (1997-2006) e recebeu o Nobel da Paz em 2001.

“Há uns anos, um médico do Gana falou-nos a mim e à minha mulher sobre o impacto devastador que as mordidas de cobras estavam a ter na sua comunidade”, começa a escrever num artigo daquele jornal espanhol. Enquanto as cobras serão responsáveis por aquele número brutal de mortes pelo mundo, Annan informa que, em comparação, “o dengue, provocado por picadas de mosquitos, rouba 20 mil vidas por ano”.

O homem que outrora ocupou o cargo de António Guterres diz que esta “é uma doença dos pobres”, pois “afeta sobretudo as sociedades mais humildes como as comunidades rurais da África subsariana, Ásia, Oceania e América Latina”. As deficiências nas redes de transportes e acessos criam ainda mais obstáculos para uma resposta rápida a quem é mordido. Kofi Annan denuncia ainda que há escassez de antídotos eficazes e acessíveis naquelas regiões mais castigadas.

Apesar deste cenário catastrófico, Kofi Annan diz que há boas notícias: a Assembleia Mundial de Saúde exigiu, no mês passado, uma resposta contra esta realidade desconhecida e a Organização Mundial de Saúde colocará na sua lista de doenças tropicais ignoradas a mordidelas de cobras.

“Estou convencido de que os envenenamentos por mordidas de cobra significam um grande desafio para a saúde pública”, remata.