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Imagine por um momento que não teve a sorte de nascer na América. Obama critica política de imigração de Trump no Facebook

Win McNamee / Getty

O antigo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, decidiu assinalar o Dia Mundial do Refugiado, que se celebra esta quarta-feira, com uma mensagem dura publicada no seu Facebook onde critica as políticas para a imigração do atual Presidente Donald Trump e pede à América um exame existencial

Ana França

Ana França

Jornalista

O antigo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recorreu às redes sociais para assinalar o Dia Mundial dos Refugiados e não poupou críticas às políticas de imigração do seu sucessor, Donald Trump cuja Administração está envolvida num furacão de críticas por ter estar a separar crianças dos pais assim que estes chegam à fronteira.

“Se teve a sorte de nascer na América, imagine por um momento que a mera circunstância o tinha colocado em outro país qualquer. Imagine que nasceu em um país onde as pessoas crescem com medo pela sua vida, e eventualmente temem também pelas vidas dos seus filhos. Um lugar onde se encontra tão desesperado para fugir da perseguição, da violência, e da dor que escolhe caminhar milhares de quilómetros na escuridão, passando por situações de grande perigo apenas impulsionados pela vontade de dar aos seus filhos uma vida melhor”.

É assim que Barack Obama, que ocupou a Casa Branca de 2009 a 2017, começa uma publicação na rede social Facebook, escrita para assinalar o Dia Mundial do Refugiado e que coloca em causa o pulso duro que a Administração Trump tem tido no controlo na imigração ilegal.

O último episódio está a passar-se na fronteira dos Estados Unidos com o México, onde pelo menos 2.300 crianças, números do Departamento de Segurança norte-americano, foram separadas dos pais quando estes tentavam entrar ilegalmente no país. Donald Trump, entretanto, prometeu assinar um decreto que reverta a situação, ou seja, as pessoas continuam a ser detidas quando chegam à fronteira de forma ilegal mas não são separadas dos seus familiares. Ainda ainda Barack Obama não poupou críticas e ficam mais explícitas à medida que se vai lendo a publicação. “Ver famílias a serem separadas em tempo real coloca perante nós uma questão importante: somos uma nação que aceita a crueldade de vermos crianças serem arrancadas dos braços dos seus pais ou somos uma nação que valoriza a família, e trabalha para as manter juntas? Olhamos para o lado ou escolhemos rever-nos naquelas pessoas e naquelas crianças?”, pergunta Obama.

Algumas das principais lutas de Obama estão a ser revertidas por Trump, mas nem sempre Obama tem criticado o atual Presidente. Fê-lo recentemente aquando o fim da participação dos Estados Unidos no acordo que impede a proliferação do plano nuclear do Irão, apelidando essa decisão um “erro grave”. Donald Trump tem tentado manter as suas promessas eleitorais, muitas das quais passam por anular ou modificar as decisões do seu antecessor. A crítica a um serviço de saúde mais acessível ou à possibilidade de as crianças que chegaram aos Estados Unidos de forma ilegal com os seus pais sem terem consciência disso poderem viver e trabalhar no país têm sido constantes por parte de Trump.