Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Dattilo, Aquarius e Orione já estão em Valência. “Estão cansados, mas animados. E espantados por verem aqui tanta gente para os receber”

Ana Baião

Oito dias após o resgate de centenas de pessoas, os navios chegaram a porto seguro. Agora, segue a segunda fase da operação: o acolhimento

Marta Gonçalves

Marta Gonçalves

enviadas a Valência

Jornalista

Ana Baião

Ana Baião

enviadas a Valência

Primeiro chegou o Dattilo. Já passava das 06h (menos uma hora em Portugal). Depois veio o Aquarius. Eram 11h. Por último, quando era bem perto da 13h, o Orione, o único em que as pessoa resgatadas vinham no convés - pareciam ser maioritariamente homens, todos sentados na mesma direção, não se ouviu nada e viu-se muito pouco. Este domingo, depois de 8 dias no mar, com dúvidas para onde seriam levados, os 630 migrantes já estão em Valência.

A partir do momento em que os navios entram no cais de cruzeiros do porto de Valência demoram mais de meia hora até atracar. Para os desembarques são necessárias muitas mais meias horas. O processo é lento.

No porto espera-os uma das maiores operações humanitárias alguma vez montada pelas autoridades espanholas. As equipas sanitárias são as primeiras a ter contacto com os migrantes, e só depois estes saem do navio, em pequenos grupos organizados.

“Estão tranquilos, cansados, mas animados. É impressionante como após 11 dias no mar estão tão bem dispostos. Estão espantados por ver que há aqui tanta gente para os receber.” A enfermeira Fátima Cabello, da Cruz Vermelha, é uma das pessoas na linha da frente para receber quem desembarca. Os migrantes chegam sobretudo com queimaduras e lesões - mais do que as previstas, embora não sejam graves. “Mais de metade está em boas condições, num estado aceitável para quem acabou de fazer esta viagem."

Após consulta médica, quem necessitar é de imediato encaminhado para o hospital mais próximo. Os restantes são ouvidos pela polícia, para serem identificados. O objetivo das autoridades é que fiquem o mínimo tempo possível no porto.

O Dattilo é a embarcação com mais gente: 274 pessoas. O Aquarius chegou com 106 pessoas a bordo, no Orione são mais 250.

O primeiro a desembarcar

Homem, 29 anos, Sudão. É a primeira das 630 pessoas que este domingo chegam ao porto de Valência, depois de mais uma semana a navegar no Mediterrâneo.“Está bem e saudável”, garantem as autoridades.

Aos poucos, os autocarros com pessoas que já foram ouvidos pela polícia e observados pelos médicos vão deixando o porto. Ao longo de toda a preparação da operação "Esperança do Mediterrâneo", sempre foi explicado que o objetivo seria ficar ali o minímo tempo possível. Objetivo cumprido.

No total dos três navios estão 630 pessoas, incluindo mais de um centena de crianças desacompanhadas e entre sete e nove grávidas. Há mais de 20 nacionalidades diferentes, mas todos partiram para o Mediterrâneo do mesmo lugar: a Líbia.

Há uma semana, na noite de sábado para domingo, o Aquarius acolheu numa só noite pessoas resgatadas em seis operações. O navio tentou dirigir-se para Itália, mas foi proibido de atracar. Depois foi a vez de Malta tomar idêntica decisão. Após as duas recusas, o Governo espanhol ofereceu quase de imediato o porto de Valência para receber o navio, justificando que era sua “obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária e oferecer um porto seguro a estas pessoas, cumprindo desta forma as obrigações do direito internacional”.