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McDonald’s vai substituir palhinhas de plástico por papel no Reino Unido

Construction Photography/Avalon/Getty Images

Números da BBC apontam para que a cadeia de fast food use 1,8 milhões de palhinhas de plástico todos os dias no Reino Unido

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

A McDonald’s vai substituir o material de que são feitas as palhinhas dos copos em que serve refrigerantes e outras bebidas em todas as lojas no Reino Unido, trocando o plástico pelo papel, já a partir de setembro. Segundo a BBC, a cadeia de fast food usa 1,8 milhões de palhinhas de plástico por dia naquele país. “Refletindo o debate público e abrangente, os nossos clientes pediram-nos esta mudança”, justificou a empresa, citada pela cadeia de televisão britânica.

A mudança não se aplica às restantes lojas da McDonald’s, embora estejam previstos testes em restaurantes específicos nos Estados Unidos, França e Noruega para perceber até que ponto a medida seria bem recebida. Em alguns outros países, as palhinhas só são fornecidas se solicitadas pelos clientes. Nos EUA, são usadas no total 500 milhões de palhinhas por dia, segundo números da agência governamental National Park Service. Há uma parte significativa que não é colocada nos contentores da reciclagem.

Medida positiva ou negativa?

O secretário para o Ambiente do Governo britânico, Michael Gove, considerou a medida um “importante contributo” para ajudar o ambiente e um “bom exemplo para outras grandes empresas”.

Há, no entanto, quem não concorde com ele. Citada pela BBC, Tanni Grey-Thompson, apresentadora de televisão britânica e antiga atleta paralímpica, sublinhou que as palhinhas de plástico permitem a muitas pessoas com deficiência beber de forma autónoma e que as alternativas em papel nem sempre são adequadas e seguras.

Também a empresa Tetra Pak já veio manifestar a sua opinião contrária à medida, afirmando que as palhinhas originais têm uma “função vital” nas embalagens e por isso não devem ser banidas. A verdadeira alternativa? Colocar as palhinhas dentro das embalagens de cartão e reciclá-las assim, sugere a empresa.

Em abril, o Governo britânico propôs a proibição das palhinhas e cotonetes de plástico em Inglaterra, mas muitas empresas, assim como festivais de verão (mais de 60 no Reino Unido, segundo a BBC), começaram já a alterar o seu comportamento.

A maioria das palhinhas é feita de plásticos como o polipropileno e o poliestireno, que se não forem reciclados precisam de centenas de anos para se decompor. Muitos acabam em aterros sanitários ou nos oceanos.

Também em Portugal têm sido adotadas medidas para desincentivar o uso de plástico, a começar desde logo pela introdução de uma contribuição para os sacos de plásticos nos supermercados. Esta taxa, que tem sido até agora aplicada aos sacos de plástico leve, poderá ser alargada aos mais espessos com o objetivo de incentivar uma maior reutilização, uma vez que “houve uma transferência e as pessoas passaram dos sacos leves para os de maior gramagem”.