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Internacional

Brexit. Theresa May arrisca novo confronto com conservadores pró-europeus

Jack Taylor

Os “rebeldes” do Partido Conservador acusam a primeira-ministra britânica de ter enjeitado uma formulação “acordada” com eles sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Os deputados pró-europeus classificam como “inaceitável” uma emenda apresentada por May na quinta-feira. Estes conservadores podem agora juntar-se ao Partido Trabalhista numa votação para derrotar a chefe do Governo

A primeira-ministra britânica, Theresa May, arrisca um novo confronto com os “rebeldes” pró-europeus do Partido Conservador, o seu partido, que a acusam de ter enjeitado uma formulação “acordada” com eles sobre o Brexit.

Segundo o jornal “Financial Times”, a quebra de confiança entre Theresa May e os deputados pró-europeus é extremamente perigosa para a primeira-ministra. May ficará vulnerável a uma possível derrota quando, na próxima semana, o projeto de retirada do Reino Unido da União Europeia regressar à Câmara dos Comuns (a câmara baixa do Parlamento britânico).

O antigo procurador-geral dos conservadores, Dominic Grieve, classificou como “inaceitável” a emenda apresentada pela chefe do Governo na quinta-feira, acusando-a de recuar num acordo feito com os deputados pró-europeus. Juntamente com pelo menos uma dúzia de outros deputados do Partido Conservador, Grieve poderá agora juntar-se ao Partido Trabalhista numa votação para derrotar May.

Theresa May “fez uma moção inalterável”

Os chamados “rebeldes” querem que o Parlamento tenha o direito de bloquear uma saída “sem acordo”, incluindo a possibilidade de pedir uma extensão do processo de dois anos previstos para a saída, ao abrigo do artigo 50 do Tratado de Lisboa. Pouco antes das 17:00 desta quinta-feira – o prazo para a avaliação dos debates de segunda-feira na Câmara dos Lordes (câmara alta) –, May apresentou uma emenda crucial. De acordo com esta emenda, se nenhum acordo de saída for feito com a União Europeia até 21 de janeiro de 2019, um ministro terá de comparecer na Câmara dos Comuns para fazer uma declaração sobre como o Governo pretende proceder.

Citado pelo “Financial Times”, Dominic Grieve disse que o Governo “fez uma moção inalterável, ao contrário do que são os métodos usuais na Câmara dos Comuns”. Assim, os deputados não poderão reescrever o texto para instruir o Governo sobre como proceder num cenário de “não acordo”, acrescentou.