Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

ONU: Metas do Acordo de Paris vão ser ultrapassadas em 2040 e isso prejudicará o crescimento económico

Michel Porro/Getty Images

As principais conclusões do relatório já haviam sido divulgadas em janeiro, depois de a Reuters ter tido acesso a um esboço do documento, mas a inclusão de milhares de pareceres de especialistas na matéria veio reforçá-lo

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Se nada se fizer entretanto, as metas relativas ao aquecimento global estabelecidas no Acordo de Paris vão ser ultrapassadas em 2040. O aviso consta de um relatório das Nações Unidas que será publicado em outubro na Coreia do Sul mas ao qual a agência Reuters teve já acesso. O documento será definido como o principal guia científico para o combate às alterações climáticas.

Para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus centígrados, conforme estipulado pelo acordo assinado na capital francesa em 2015, será necessário implementar com urgência “medidas abrangentes”, dizem os especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) que assinam o relatório.

As principais conclusões do relatório já haviam sido divulgadas em janeiro, depois de a Reuters ter tido acesso a um esboço do documento, mas a inclusão de milhares de pareceres de especialistas na matéria veio reforçá-lo.

Os 195 países que assinaram o Acordo de Paris comprometeram-se a fazer esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus centígrados em relação à era pré-industrial, reduzindo assim as emissões globais de carbono para conter o aquecimento global. No ano passado, contudo, Donald Trump, Presidente norte-americano, retirou os EUA do acordo.

Ainda segundo a versão final do relatório que será divulgada em breve, as temperaturas já estão em 1ºC e têm aumentado 0,2 graus centígrados a cada dez anos. Assim que ultrapassarem a fasquia dos dois graus, isso terá consequências sobre o crescimento económico, “que será mais baixo em muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento”, diz o documento, alertando para consequências como cheias e secas que podem prejudicar a produtividade agrícola e ter efeitos nefastos sobre a população, devido ao calor. O relatório deixa também claro que as promessas feitas no âmbito do Acordo de Paris são “insuficientes” para limitar o aquecimento global.

Focando-se nas energias renováveis - eólica, solar e hidráulica - o documento refere ainda que só será possível manter o aquecimento nos níveis estipulados em 2015 se a sua utilização aumentar em 60% em relação aos níveis de 2020, enquanto o uso do carvão como fonte primária de energia “terá de reduzir-se para dois terços”.

Os governos terão ainda de encontrar formas de extrair grandes quantidades de carbono do ar, por exemplo plantando largas extensões de florestas, lê-se ainda no relatório, segundo o qual não são recomendáveis “soluções radicais na área da geoengenharia” para o combate ao aquecimento global, como a pulverização de produtos químicos na atmosfera para reduzir a luz solar, uma vez que tais soluções, “além de não ser certo que resultem, carecem de sustentação teórica”.