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Internacional

EUA/Coreia do Norte: PCP admite “passo” para solução pacífica se Trump cumprir

Pedro Guerreiro considera que cimeira poderá trazer a paz, mas apenas se Trump cumprir o acordado e contrariar o “caráter agressivo dos EUA” dos últimos 65 anos

O dirigente comunista Pedro Guerreiro admitiu esta terça-feira que a cimeira de Singapura, entre Coreia do Norte e EUA, "poderá ser um passo" para "uma solução pacífica" do conflito na região se o Presidente norte-americano cumprir o acordado.

"Poderá representar um passo no sentido de uma solução pacífica para um conflito que se arrasta há mais de 65 anos devido a uma política que se caracteriza por uma intransigência e caráter agressivo dos EUA, que mantém um poderoso dispositivo militar na Coreia do Sul", disse, em declarações à agência Lusa.

Há quase um ano, em entrevista à Lusa, o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, afirmou-se disponível para condenar atos beligerantes do líder norte-coreano, Kim Jong-un, através de um voto no parlamento português, desde que o texto desaprovasse igualmente as provocações norte-americanas, em favor de uma "solução política, sem violência militar".

"Gostaríamos de recordar que, no passado, também foram estabelecidos acordos e compromissos entre a República Popular Democrática da Coreia [Coreia do Norte] e os EUA que, posteriormente, não foram cumpridos pela parte norte-americana", lembrou Pedro Guerreiro.

Por isso, sublinhou, "a solução para este conflito passa, necessariamente, pelo respeito pelos princípios de soberania e independência nacionais e o direito do povo coreano a decidir sobre os seus próprios destinos, tendo em vista a concretização de uma sua aspiração: a reunificação pacífica da Coreia".

O membro do secretariado do Comité Central do PCP, que recordou outras quebras de compromissos por parte do líder norte-americano, Donald Trump - como os acordos nuclear com o Irão ou climatéricos de Paris -, considerou essencial que seja dada "garantia de efetivas medidas de segurança, com vista ao objetivo da paz estável e duradoura" na península coreana, finalmente "livre de armas nucleares e de forças estrangeiras estacionadas".

"É um processo complexo, mas a realidade demonstra que os EUA têm de mudar posicionamento em relação a este conflito e, finalmente, aceitar um acordo de paz que têm vindo a negar", afirmou Pedro Guerreiro.

A cimeira de Singapura foi o primeiro encontro entre os líderes dos dois países depois de décadas de confrontos políticos no seguimento da Guerra da Coreia (1950-53) e de 25 anos de tensão sobre o programa nuclear de Pyongyang, na sequência da II Guerra Mundial e da disputa de influência geopolítica entre soviéticos e norte-americanos, denominada "Guerra Fria".

Os líderes dos EUA e da Coreia do Norte apertaram esta terça-feira as mãos e acordaram a "total desnuclearização" da península coreana.

Na declaração inicial, Trump disse que deu "garantias de segurança" à península coreana e que em troca recebeu a promessa de total desnuclearização do programa de armamento norte-coreano, considerando que as negociações correram "muito bem", mas avisando que o processo é longo e que deverá ser necessário um segundo encontro com o seu homólogo coreano.

O encontro formal começou pouco depois das 9h de terça-feira (2h em Lisboa), num hotel em Singapura, e resulta de uma corrida contra o tempo - com uma frenética atividade diplomática em Washington, Singapura, Pyongyang e na fronteira entre as duas Coreias -, em que houve anúncios, ameaças, cancelamentos e retratações surpreendentes.