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Esteve 35 anos desaparecido após missão na Holanda. Afinal, Hughes estava na Califórnia com nome falso

O norte-americano, a viver na Califórnia com um nome falso, surgiu nos radares das autoridades na semana passada quando foi sinalizado numa investigação por fraude de passaportes e “inconsistências na identidade”. Barry O’Beirne afinal era William Howard Hughes Jr.

Num dia de julho de 1983, Howard Hughes seguiu para a Holanda numa missão da NATO. O regresso do oficial da Força Aérea norte-americana estava agendado para o primeiro dia de agosto, sensivelmente duas semanas depois da partida, mas nunca aconteceu. Hughes ficou 35 anos sem deixar rasto. Até agora.

A história rocambolesca, publicada esta segunda-feira no Washington Post, tem aqueles ingredientes sedutores para uma boa trama, com missões de vigilância, desaparecimentos e suspeitas de espionagem a favor do inimigo do outro lado da barricada da guerra fria.

Hughes tinha 33 anos e liderava o gabinete de análise de vigilância na base de Kirtland, no Novo México. O desaparecimento levantou suspeitas de deserção e fuga de informação confidencial, mas a família temia antes o rapto. Os desastres registados em diferentes missões da NASA naquelas décadas, como por exemplo a explosão da nave Challenger transmitida em direto pela CNN, em 1986, legitimavam a teoria da sabotagem por parte dos soviéticos, porventura com a ajuda de Hughes.

O norte-americano, a viver na Califórnia com um nome falso, surgiu nos radares das autoridades na semana passada quando foi sinalizado numa investigação por fraude de passaportes e “inconsistências na identidade”. Barry O’Beirne foi confrontado e admitiu tratar-se de William Howard Hughes Jr., que desapareceu da Força Aérea em 1983.

Hughes foi detido e alegou “depressão por estar na Força Aérea” como motivo para a fuga. Apesar da justificação, o exército ainda não colocou de parte a acusação de deserção, seguindo-se agora uma investigação. A porta-voz da Força Aérea diz não haver provas que indiquem a alegada fuga de informação: “Enquanto não soubermos a história toda, não há história”.

Howard Hughes, detido em casa no dia 6 de junho, está à espera de julgamento e enfrenta uma possível acusação por deserção, que poderá ditar cinco anos de prisão e uma dispensa desonrosa da Força Aérea.