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Primeiro-ministro holandês deixou cair um café no chão e limpou com uma esfregona. Qual o espanto?

DIMITAR DILKOFF/GETTY

A surpresa foi bastante menor na Holanda do que em partes distantes do mundo, onde a cultura é outra

Luís M. Faria

Jornalista

Muitos holandeses continuam um pouco espantados com o eco que a cena está a ter pelo mundo fora. Há dias, o primeiro-ministro Mark Rutte chegou ao Parlamento com um copo de café na mão. À entrada, descuidou-se e o café derramou-se pelo chão. Sem hesitar, Rutte pegou numa esfregona e começou a limpar. A certa altura, pediu um balde. As imagens mostram empregadas de limpeza a aplaudir.

Num país onde é suposto vigorar a cultura de que qualquer pessoa limpa aquilo que suja, o vídeo não causou surpresa, até porque o primeiro-ministro é conhecido pelo seu sentido mediático ("Ele sabe muito bem quando a câmara está a rolar e quando não está". Se estiver, "vai até ao fim", explicou a jornalista que filmou a cena). Mas noutras partes do mundo a reação foi diferente.

Na Índia, por exemplo, houve uma explosão de comentários na internet a louvar a "humildade" demonstrada por Rutte, em contraste com a atitude dos políticos e empresários locais. Nenhum destes jamais faria uma coisa semelhante, disseram várias pessoas. "Quantos sabemos sequer o nome do empregado que todos os dias limpa as casas-de-banho no nosso escritório?", perguntou alguém.

No Médio Oriente, a julgar por um comentário publicado no Facebook da BBC Arabic, a diferença de comportamento seria ainda maior. O governante descuidado teria provavelmente resolvido a questão "executando o vendedor de café", dizia uma pessoa.

Um comentador holandês preferiu entafizar a atitude das mulheres da limpeza. "Em que outros países há tão pouca hierarquia que elas ousam reagir assim?", questionou.