Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

O medo da III Guerra Mundial e as ameaças de destruição. As conversas em família de Putin

ILYA NAYMUSHIN/ Reuters

Já é tradição: todos os anos o presidente russo responde a uma série de perguntas colocadas pelos seus cidadãos. As repostas de Putin são depois transmitidas pela televisão estatal e este ano ouviram-se coisas como “não prevemos uma retirada das forças neste momento [da Síria]”, “[os países do ocidente] veem a Rússia como uma ameaça” e “a ideia de uma terceira Guerra Mundial pode ser o fim da civilização e devia impedir a tomada de decisões extremas”

Mais de dois milhões de perguntas foram submetidas, mas nem todas foram respondidas por Vladimir Putin esta quinta-feira. Desde há 16 anos, que anualmente acontece o mesmo: o Presidente da Rússia vai à televisão para responder a uma série de questões colocadas pelos russos. E este ano, apesar de o tema dominante ter sido, sobretudo, política interna, Putin deixou alertas para os amigos (e também para os não tão amigos), a começar pela ameaça de uma nova Guerra Mundial, que considerou ser motivo suficiente para os países acabarem com as disputas mundiais.

“A ideia de que uma Terceira Guerra Mundial pode ser o fim da civilização deveria impedir a tomada de decisões extremas no cenário internacional que é muito perigoso para a civilização moderna”, disse Putin durante a entrevista que foi transmitida pela televisão estatal Russia Today. “A ameaça de destruição mútua sempre restringiu os participantes no cenário internacional, preveniu os poderes militares de levarem a cabo ações precipitadas e obrigou os participantes a respeitarem-se”, acrescento, numa alusão aos tempos da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviática.

Para Putin, o Ocidente “vê erradamente” a Rússia como uma ameaça. No entanto, referiu, isso pode mudar quando os países ocidentais perceberem que as sanções económicas não servem os seus interesses.

“Esta pressão vai acabar quando se convencerem de que os métodos que usam são ineficazes, contraproducentes e prejudiciais para todos. Veem a Rússia como uma ameaça, veem que a Rússia se tornou um concorrente”, disse. A Rússia é atualmente alvo de sanções por parte da União Europeia e dos Estados Unidos devido à anexação da Crimeia, em 2014, e o apoio que presta aos separatistas da Ucrânia. Adicionalmente, os norte-americanos aplicaram sanções pela alegada interferência russa nas presidenciais norte-americanas de 2016.

Putin falou ainda sobre a Guerra na Síria, de onde não prevê que as tropas russas, apoiantes do regime de Bashar al-Assad, saiam tão brevemente. “Não prevemos uma retirada das forças neste momento”, assegurou. E justificou: “As grandes operações militares, incluindo as que tiveram participação das nossas forças armadas, terminaram. Os nossos militares estão lá para garantir os interesses da Rússia naquela região de importância decisiva. E vão continuar enquanto for do interesse da Rússia e enquanto cumprimos as nossas obrigações internacionais”.

O número exato de militares russos na Síria não é conhecido, apenas o número de militares russos na Síria que votaram nas últimas presidenciais russas, a 18 de março: 2 954. A presença russa em território sírio, defendeu ainda, é “um instrumento único de treino e aperfeiçoamento” das forças armadas, incomparavelmente mais útil que qualquer exercício militar.