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Chefe de companhia aérea diz que a empresa “tem de ser dirigida por um homem”

ERIC CABANIS

É uma posição com muitos desafios, explicou o CEO da Qatar Airways numa reunião internacional, antes de se desculpar e dizer que tinha sido uma piada

Luís M. Faria

Jornalista

O insólito comentário aconteceu terça-feira na reunião da IATA, o organismo máximo da indústria da aviação, em Sidney (Austrália). Akbar Al Baker, CEO da Qatar Airways, estava a falar dos passos que a sua empresa tomara para corrigir os desequilíbrios de género. A certa altura, alguém lhe perguntou por que motivo a empresa ainda era dirigida por um homem. Resposta: "Claro que tem de ser dirigida por um homem, porque é uma posição com muitos desafios".

A reação não tardou, e Baker depressa compreendeu que tinha feito asneira. Não tardou a redimir-se, um dia depois: "Sentidas desculpas por alguma ofensa causada pelo meu comentário ontem". Notou igualmente que a Qatar Airways não só tinha sido pioneira a ter mulheres pilotos, como a "expandir o papel de liderança" delas como executivas.

Aproveitou também para culpar o mensageiro: "Com franqueza, acho que a imprensa retirou o que eu disse do contexto. Era apenas uma piada. Toda a gente riu e e pensei que era o fim da história". O facto é que a maioria das pessoas parece ter achado que ele falava a sério.

Na própria IATA, apenas dois dos 31 membros do Conselho de Administração são mulheres, e na aviação em geral a percentagem é inferior à de outras indústrias. Essa desproporção existe por todo o mundo, sendo especialmente forte no Médio Oriente, onde apenas uma percentagem exígua dos executivos são do sexo feminino.

Na conferência de Sidney, Akwar Al Baker assumiu o cargo de presidente da IATA.