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Internacional

Portugal "compreende as razões" do ataque lançado pelos "amigos"

Tiago Miranda

Ministério dos Negócios Estrangeiros ressalva a "necessidade de evitar qualquer escalada no conflito" e sublinha que todas as partes "devem mostrar contenção no uso da força". Marcelo subscreve posição do Governo

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

Editora de Sociedade

O Governo português "compreende as razões e a oportunidade" do ataque aéreo lançado esta madrugada contra alvos sírios pelos EUA, França e Reino Unido, "três países amigos e aliados de Portugal".

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) refere ter-se tratado de "uma operação militar circunscrita, cujo objetivo foi infligir danos à estrutura de produção e distribuição de armas que são estritamente proibidas pelo direito internacional".

"Portugal compreende as razões e a oportunidade desta intervenção militar. O regime sírio deve assumir plenamente as suas responsabilidades. É inaceitável o recurso a meios e formas de guerra que a humanidade não pode tolerar", adianta o comunicado, sublinhando a "necessidade de evitar qualquer escalada no conflito sírio, que gere ainda mais insegurança, instabilidade e sofrimento na região".

O MNE defende que "todas as partes devem mostrar abertura para investigações independentes que possam apurar e punir responsabilidades por crimes de guerra" e "devem mostrar contenção no uso da força e empenhamento na procura de uma solução política, negociada e pacífica" para o conflito na Síria, que representa "uma muito séria ameaça à paz e segurança no mundo".

O Presidente da República já subscreveu a posição do MNE, afirmando que só a vontade de construir a paz permitirá caminhos de futuro.

"Memória, orgulho e coragem nos reúnem aqui hoje, num dia em que Portugal já manifestou pelo seu Governo a compreensão para com a razão e a oportunidade da intervenção de três amigos e aliados, limitada a estruturas de produção e distribuição de armas estritamente proibidas pelo direito internacional e cujo uso é intolerável e condenável", disse Marcelo Rebelo de Sousa, ao discursar nas cerimónias do Dia do Combatente, que decorrem no Mosteiro da Batalha.

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram na madrugada deste sábado uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, realizado na semana passada e atribuído pelas potências ocidentais ao Governo de Bashar al-Assad.

Segundo o Pentágono, a ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas.