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Trump ignorou avisos dos assessores para não felicitar Putin

Jabin Botsford/The Washington Post/Getty Images

Sob crescentes suspeitas de que trabalhou com os russos para derrotar Hillary Clinton nas eleições de 2016, o Presidente norte-americano decidiu dar os parabéns ao homólogo russo pela sua reeleição nas eleições de domingo. “Um Presidente americano não lidera o mundo livre felicitando ditadores por ganharem eleições fraudulentas”, criticou o senador republicano John McCain

O Presidente norte-americano Donald Trump ignorou as recomendações dos seus assessores para a segurança nacional para que não felicitasse Vladimir Putin pela sua reeleição como chefe de Estado russo, com quase 77% dos votos, no domingo.

A notícia foi avançada pelo "Washington Post" esta terça-feira, com base em informações avançadas por funcionários da Casa Branca. Sob anonimato, as fontes explicaram ao jornal que os assessores responsáveis por elaborarem o documento preparatório da conversa telefónica entre Trump e Putin escreveram "Não felicitar" em letras maiúsculas nesse documento, um conselho que o líder norte-americano decidiu ignorar.

Além disso, a equipa de conselheiros de segurança nacional também tinha incentivado Trump a abordar com o homólogo russo o recente ataque a um ex-espião russo, Sergei Skripal, e à sua filha, Yulia, em Inglaterra, com recurso a uma arma química, algo que o Presidente norte-americano também ignorou, numa altura em que continua a ser investigado nos EUA por suspeitas de conluio com o Kremlin durante a corrida à Casa Branca em 2016.

Em declarações aos jornalistas na segunda-feira, Trump descreveu a “chamada muito boa” que manteve com o chefe de Estado russo depois da sua vitória para um quarto mandato presidencial, numa ida às urnas envolta em acusações de fraude.

“Falei por telefone com o Presidente Putin e felicitei-o pela sua vitória, a sua vitória eleitoral. A chamada teve a ver também com o facto de que provavelmente vamos reunir-nos num futuro não muito distante para que possamos falar sobre armamento.”

A felicitação a Putin motivou novas críticas a Trump, como a do senador republicano e antigo candidato presidencial, John McCain, que no Twitter sublinhou que felicitar o "ditador" russo é "um insulto a cada cidadão [do país] que viu negado o seu direito de votar em eleições livres e justas". "Um Presidente norte-americano não lidera o mundo livre felicitando ditadores por ganharem eleições fraudulentas", ressaltou McCain.

Também na segunda-feira, o Kremlin (Presidência russa) confirmou que os dois líderes abordaram nessa chamada a possível realização de um encontro de alto nível e a coordenação de esforços entre Washington e Moscovo para “limitar a corrida ao armamento”.

“Em termos gerais, a conversa foi construtiva (…), focada na resolução de problemas acumulados no contexto das relações russo-americanas”, referiu o Kremlin.

Putin e Trump encontraram-se pela última vez em novembro passado, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que decorreu na cidade vietnamita de Danang.

Ainda sobre a conversa telefónica desta segunda-feira, o Kremlin esclareceu que os dois líderes não conversaram sobre o caso do envenenamento de Sergei Skripal e da sua filha com um agente neurotóxico em solo britânico – um ataque que os aliados ocidentais, incluindo o governo federal dos EUA, já atribuíram a Moscovo.