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Dias de Energia: a rede solar doméstica que “passo a passo vai chegar a Lisboa”. E outras ideias de que vai ouvir falar (ainda mais)

A Solshare foi a grande vencedora do prémio principal de 200 mil dólares (€174 mil) atribuído no final do Free Electrons em Berlim

Alexandre Lopes

A Solshare foi a grande vencedora do Free Electrons, a competição de startups de energia com forte componente portuguesa e que se assume como um dos principais programas globais do sector. Um final emocionante que não é mais que o início do percurso das 15 equipas que se apresentaram a jogo em Berlim

Já só se vislumbrava céu escuro e as luzes dos arranha-céus de Berlim quando se conheceu o vencedor do Free Electrons. Com o palco montado e o cheque gigante de 200 mil dólares (€174 mil) à espera do novo dono, soou então o nome da equipa em pleno Museu Alemão da Tecnologia: Solshare. Espaço para os aplausos e agradecimentos clássicos de uma empresa que quer democratizar o solar e que nada tem de clássico, após a vitória num programa de aceleração (com toque bem português) que faz da inovação a sua forma de estar. E sempre a pensar nos próximos passos.

Foi o final animado da segunda edição da competição global de empreendedorismo que junta dez grandes operadoras energéticas de todo o mundo - American Electric Power (EUA), AusNet Services (Austrália) CLP (Hong Kong), DEWA (Dubai), EDP( Portugal), ESB (Irlanda), Innogy (Alemanha), Origin Energy (Austrália), SP Group (Singapura) e Tokyo Electric Power Company (Japão) - a empresas com potencial para mudar o universo da energia. Desta feita, o programa foi organizado pela portuguesa Beta-I, com a componente prática a levar os 15 finalistas a Lisboa, Sidney, Melbourne, Silicon Valley e à capital alemã, numa série de encontros práticos, divididos em três módulos, que permitiu criar parcerias entre startups e utilities, além de projetos piloto que permitiram às empresas perceber onde estão as suas principais forças e debilidades.

"Estamos histéricos com o resultado", atira Manuel Tânger, diretor de inovação da Beta-I e um dos principais responsáveis pela estruturação da segunda edição do Free Electrons - e que também organizam a edição deste ano do EDP Open Innovation, projeto de empreendedorismo que junta o Expresso e a EDP e sobre o qual pode saber mais nestas rubricas. "Somos o melhor acelerador do mundo, desenvolveram-se quase 50 pilotos e muitos acordos de investimento, por exemplo. Não tem igual na indústria." Os números dão um pouco ideia da dimensão do projeto, com 515 candidaturas de 65 países entre operadoras energéticas que representam perto de 80 milhões de clientes.

A portuguesa-holandesa Jungle.ai foi uma de 15 finalistas e Tim Kock resume de uma maneira simples o impacto do programa na sua empresa: "agora conhecem-nos." Mesmo tendo faltado ao primeiro módulo por se ter casado ("parece-me uma razão válida, não?", pergunta entre risos) o co-fundador da startup especializada em inteligência artificial e a desenvolver projetos de manutenção preditiva fala de um espaço onde se passa "de competição a parceria" e onde perceberam o potencial da sua ideia de negócio no sector energético. "Conseguimos fazer com que uma central elétrica gere 5% a 10% mais de energia. É uma disrupção enorme!" Por isso, a expectativa não podia ser maior para os próximos tempos.

Sílvio Rodrigues e Tim Kock, da Jungle.Ai, participaram no Free Electrons para darem a conhecer a sua empresa de análises preditivas

Sílvio Rodrigues e Tim Kock, da Jungle.Ai, participaram no Free Electrons para darem a conhecer a sua empresa de análises preditivas

Confiança no futuro que é também a força motriz da Solshare, os grandes vencedores do programa. A empresa de fundadores alemães está sediada no Bangladesh, onde desenvolveu uma nova solução que facilita a criação e gestão de micro-redes elétricas, para levar energia solar a casas sem acesso à rede elétrica de uma forma acessível e sustentável. Num dos países do mundo com maior percentagem de utilização doméstico de recursos fotovoltaicos, Sebastian Groh viajou para o país há cinco anos com a vontade de "resolver um problema de acesso energético" que descobrir que pode ser replicado em todo o mundo. "Estas empresas acreditam que pode ser o futuro", diz o CEO, que atualmente conta com 5000 clientes e gere 15 redes privadas. Para o ano serão 4000 que, na sua opinião, vão permitir chegar ao cliente 2 milhões, só no Bangladesh. O prémio, será agora mais uma ajuda para primeiro expandir para a Índia e depois, quem sabe. "Passo a passo, chegamos a Lisboa", afirma.

Sustentabilidade de fio a pavio

Valor que se junta ao investimento de 430 mil euros que a EDP realizou na empresa e que já lhe permitiu sair do Free Electrons com o objetivo de atingir €1,5 milhões em financiamento. É uma de quatro empresas (além de nove parcerias) em que a operadora portuguesa investiu no programa, com a Solshare a estar na companhia da Jungle.AI, da Loqr e da Sterblue, enquadrado em movimentos das utilities presentes que passaram os €2,7 milhões. António Mexia deslocou-se a Berlim para acompanhar os pitches finais e aproveitou para falar com as startups ligadas à EDP. Opiniões que fez questão de ouvir, uma vez que "a inovação não pode ser só de algumas pessoas dentro das empresas." Por isso, o CEO tentou perceber "como é que as pessoas olham para nós" e o que ligação pode reservar para todas as partes envolvidas. Com a certeza que "a empresa está bem posicionada", focada no crescimento internacional e capaz de responder aos grandes desafios. Com o aviso que a inovação "tem que se traduzir em sustentabilidade de fio a pavio."

Entre as tendências mais faladas, o armazenamento energético esteve muitas vezes em foco como o factor que pode fazer toda a diferença na adoção mais difundida (ou não) das energias renováveis. A capacidade de guardar excedentes para alturas de necessidade está presente em conceitos de negócio por todo o lado, mas "não há ninguém no mundo como a Orison." Quem o diz é o CEO, Eric Clifton, que não tem dúvidas que a sua empresa será a primeira participante do Free Electrons a atingir uma avaliação de €1 milhar de milhão. Como? Através do produto inovador que se liga à tomada elétrica e, ao mesmo tempo, permite gerir a utilização de energia doméstica, guardar eletricidade por utilizar. Agora têm parcerias com oito startups e três operadoras que lhes permitiu atingir o financiamento de €3,5 milhões, com destaque para uma acordo fechado na manhã do último dia que "muda tudo." Agora, além de entrar no mercado para o próximo ano, o grande objetivo é resolver o enigma de "como vender energia armazenada", algo que "ainda ninguém conseguiu." Mas que Eric acredita serem capazes.

Um dos pitches finais que decorreram no antigo Café Moscovo, em pleno centro de Berlim

Um dos pitches finais que decorreram no antigo Café Moscovo, em pleno centro de Berlim

"Somos os peixes fora da água", dizem Ricardo Costa e Pedro Borges, CEO e CTO, respetivamente, da Loqr. A empresa de cibersegurança especializada em certificação de identidade não tem um conceito de negócio que se associe de imediato à energia, mas os fundadores confessam já terem encontrado muitas empresas do sector que precisam da sua solução. Do programa, dizem ser algo que permite "transferir tecnolia das starups para as empresas" e que "excedeu as suas expectativas." Da ligação com as operadoras - EDP, ESB e CLP - poderá sair um programa que permita celebrar (e alterar) contratos remotamente em dez minutos e que lhes deu a oportunidade de focar na "aceleração do negócio" e, talvez mais importante, "arriscar."

Para o administrador da EDP Inovação, Luís Manuel, importa entender que o Free Electrons forma "uma comunidade de pessoas" que ajuda a perceber os projetos certos a investir ao "olhar olhos nos olhos", porque é "sempre difícil arriscar numa pessoa." E o historial de sucesso de duas edições do programa só o leva a tecer uma consideração: "esta comunidade faz sentido."

O Expresso viajou para Berlim a convite da EDP

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