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Maria Teresa Horta

Alfredo Cunha

A escritora e jornalista Maria Teresa Horta nasceu em 1937 em Lisboa, cidade onde sempre residiu e cuja Faculdade de Letras frequentou.

Aos 9 anos a separação dos pais e a morte da avó paterna marcam-na profundamente. Deixa a casa do pai com 18 anos, casando-se então com um companheiro do ABC Cineclube, de que viria a ser dirigente ainda nos anos 50. Em 1960 estreia-se na poesia com Espelho Inicial, título que abre uma obra que já conta com 22 livros de poesia e 9 de ficção, vários dos quais premiados. No ano seguinte participa no grupo Poesia 61, numa altura em que a sua casa na Avenida de Roma se torna num ponto de encontro da intelectualidade lisboeta. Começa então a colaborar em vários jornais e revistas. Entretanto, apaixona-se pelo estudante de Direito Luís Barros, com quem passa a viver — até hoje — e viria a casar em 1965, ano em que nasce o filho único, Luís Jorge.

A estreia na ficção ocorre em 1970, com o romance Ambas as Mãos sobre o Corpo. Resistente à ditadura, Maria Teresa Horta é perseguida pelo regime de Caetano que, em 1971, lhe apreende o livro de poesia Minha Senhora de Mim, por entre uma campanha de calúnias e até de uma agressão na via pública. No ano seguinte é a vez de Novas Cartas Portuguesas, escrito em co-autoria com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, ser objecto da instauração de um processo por «ofensa à moral pública». A acção criminal prolonga-se por dois anos, e suscita uma forte contestação no estrangeiro, onde o livro vem a ser alvo de numerosas traduções. As escritoras são absolvidas por sentença lida já depois do 25 de Abril, após o que Teresa e Isabel fundam o Movimento de Libertação das Mulheres.

A defesa da liberdade e da igualdade dos géneros e a denúncia de todas as formas de discriminação das mulheres é uma constante na vida e obra de Maria Teresa Horta que, em 1978 é convidada pelo PCP para fundar a revista «Mulheres», de que será a dinamizadora e chefe de redacção. Já no séc. xxi, em 2004, é agraciada pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante. A escritora, traduzida em França, Reino Unido, Espanha e Itália, e com originais publicados no Brasil — país onde é alvo de diversas homenagens — e França ainda inéditos em Portugal, é distinguida pela SPA em 2014 com o Prémio Consagração de Carreira.