Siga-nos

Perfil

Expresso

Um Velho Sentimental

Histórias breves sobre acontecimentos irrelevantes, condições atmosféricas e pessoas interrompidas: ficções de Bruno Vieira Amaral, para ler todas as quintas-feiras no Expresso Diário

Com a idade tornara-se sentimental. Falava sobre os filhos. Sobre a infância dos filhos. Dois ou três momentos simbólicos: um jogo de futebol, um passeio no parque de Benfica num domingo de um fim de semana prolongado, uma ida à praia, a Sesimbra. Era tudo o que recordava, memórias turvas que não chegavam aos pormenores. Talvez nem tivesse ido a esses lugares com os filhos. Como era possível não se lembrar de mais nada? Pior, como é que era possível recordar-se, chegar à infância dos filhos depois de um tão grande esforço da memória? Como é que essas coisas não se confundiam com a sua vida? Chorava. Agora era um sentimental. Fazia confidências que o surpreendiam a si mesmo. Em público, com desconhecidos. Confessava-se. Episódios íntimos. Fazia-o com uma impunidade de velho. Era isso. Estava velho. E sentimental.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito para Assinantes ou basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso, pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido