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A fotografia

Histórias breves sobre acontecimentos irrelevantes, condições atmosféricas e pessoas interrompidas: ficções de Bruno Vieira Amaral, para ler todas as quintas-feiras no Expresso Diário

No dia em que completaram um ano de namoro, ele ganhou coragem para lhe falar sobre o assunto: queria, não, gostava que ela tirasse a fotografia do ex-namorado da estante do quarto. Era um pedido sensato e delicado. Sempre que entrava no quarto era como se enfrentasse um flagelo particular.

Ao fim de um ano, por muito que se esforçasse, não entrava sem procurar a fotografia na estante, nem podia evitar a simpatia amargurada pela figura jovem e solar, de sorriso despreocupado, ali retratada, muito mais feliz e radiante do que ele alguma vez fora, como um amigo admirável que expõe as nossas fraquezas. Nem a namorada percebia o quanto aquilo o magoava, nem ele, acoitado numa reserva de orgulho masculino, era capaz de lho confessar. “Não espero que o esqueças”, disse-lhe. “Nem quero”, acrescentou, como se a vontade dele valesse alguma coisa.

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