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Novos pilotos terão de pagar 30 mil euros para voar na TAP

Caiaimage/Rafal Rodzoch

Para tentar fixar pilotos face ao aliciamento de companhias estrangeiras, onde chegam a ganhar 10 vezes mais, a transportadora aérea nacional vai exigir “comparticipação nos custos de formação” aos 300 pilotos que quer contratar este ano. E quem rescindir o contrato antes de três anos terá de indemnizar a empresa

Cada um dos novos 300 pilotos que a TAP pretende contratar este ano terá de pagar 30 mil euros para voar na companhia portuguesa, a título de “comparticipação nos custos de formação”. Esta “comparticipação” vai permitir à transportadora aérea portuguesa encaixar 9 milhões de euros, mas também pode afastar eventuais candidatos que, a troco de um salário bruto de 3 mil euros, terão de descontar, durante 36 meses, cerca de 830 euros.

O concurso para oficiais piloto começou a ser divulgado esta semana e o recrutamento vai até dia 28. A intenção da TAP é contratar “300 pilotos, com licença comercial e que terão que pagar pela formação”, revelaram fontes do sector.
Além da licença de piloto comercial os candidatos terão ainda de ter “500 horas de voo” em Airbus e uma “experiência de mil horas de voo em aviões com uma tripulação mínima de 2 pilotos em transporte aéreo”, lê-se nos requisitos que estão disponíveis na página da internet da companhia.

Depois de aceites, e integrados no quadro de pessoal como oficiais pilotos da TAP, terão de fazer um “curso de integração na empresa” e “um curso de qualificação de tipo TAP ATO Training Manual A 320 F”, com a duração de 3 anos. E os candidatos terão então de “comparticipar nos custos da formação recebida, o Curso de Qualificação de Pilotos em equipamento A 320, num valor que se estabelece em trinta mil euros”. Valor que, promete a TAP, “será pago em 36 prestações mensais iguais e sucessivas, descontadas a partir do primeiro vencimento a processar ao colaborador”.

Fontes do sector ouvidas pelo Expresso, e que pediram para não serem identificadas, calculam que a TAP “ganhe 9 milhões de euros com este recrutamento, num processo que não é habitual, sendo até invulgar”. O que “poderá afastar eventuais candidatos, pelo menos pilotos colocados e com mais experiência”. Mesmo “pilotos com pouca experiência facilmente encontram vagas noutras companhias onde não terão que pagar para voar”.

Menos 834 pilotos em dois anos

Desde o início do ano que a falta de tripulações está a provocar constrangimentos nos voos da TAP, que aumentou as frequências. Para isso a empresa adquiriu 53 novos aviões A320 Neo, para os quais vai precisar de pilotos, uma das profissões com maior procura a nível mundial.
No sector, as companhias asiáticas pagam entre 100 e 200 mil euros anuais. Já na TAP os comandantes seniores podem atingir 9 mil euros mensais de salário.

Mas, segundo o anuário da Autoridade Nacional da Aviação Civil, Portugal perdeu nos últimos dois anos 834 pilotos. O país tem registados 4868 pilotos qualificados para aviões de passageiros, e o recrutamento tem sido difícil, face ao aliciamento de companhias estrangeiras.
Na TAP, além de pagarem para voar, os novos pilotos que “eventualmente rescindam, sem justa causa, o contrato de trabalho, antes de decorridos 3 anos, são ainda obrigados a indemnizar” a empresa.

Ouvido pelo Expresso, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil não quis fazer comentários. A companhia aérea, por seu turno, não respondeu até à hora de fecho desta edição aos esclarecimentos pedidos pelo Expresso.