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Wall Street Journal envolve Arnaut nos empréstimos da Goldman Sachs ao BES

FOTO ALBERTO FRIAS

Os portugueses José Luís Arnaut e António Esteves intervieram de forma decisiva para desbloquear empréstimos da Goldman Sachs ao BES em vésperas do colapso do banco, garante o Wall Street Journal. A operação gerou prejuízos de centenas de milhões com a operação. 

"O BES é um banco profundamente estável". Estávamos em fim de junho do ano passado e, em declarações à Antena 1, José Luís Arnaut prosseguia: Ricardo Salgado, que então já havia anunciado a sua saída, "deixa um banco robusto com capital e credibilidade". Um mês depois, o banco colapsou. José Luís Arnaut trabalhava para a Goldman Sachs. E a Goldman Sachs tinha-se tornado acionista relevante do BES e emprestado 835 milhões de dólares (681 milhões de euros à data) ao banco português, quando já nenhum banco o fazia.  

Goldman Sachs e Banco de Portugal estão agora em conflito por este empréstimo ter sido transferido, no final do ano passado, para o "banco mau".

As declarações de Arnaut são recordadas numa notícia da edição de hoje do diário americano The Wall Street Journal, que ao longo dos últimos meses tem acompanhado o colapso do BES e sempre liderou as informações sobre a relação entre o Goldman Sachs e o banco português.

"Quando a Goldman Sachs contratou no verão passado um empréstimo de 835 milhões de dólares ao Banco Espírito Santo, isso foi o resultado de um esforço concertado de vários meses de vários executivos seniores da Goldman para ganhar negócios com o grande banco português", escreve o Wall Street Journal, que cita fontes próximas do processo.

O empréstimo em causa foi concedido numa altura em que o BES já tinha enormes dificuldades em financiar-se junto do sistema bancário internacional. E foi aprovado "por pelo menos três comités da Goldman", compostos por executivos seniores do banco "nomeados para avaliar rigorosamente as transações quanto ao risco de crédito e ao potencial de afetar a reputação do banco", prossegue o diário.

José Luís Arnaut, que foi nomeado membro do comité de aconselhamento internacional da Goldman Sachs pouco tempo antes, no início de 2014, "por causa da sua espessa agenda de contatos", diz o jornal, "estabeleceu contato com Ricardo Salgado" e "ofereceu a ajuda da Goldman para conseguir dinheiro emprestado". Já António Esteves, o português sócio da Goldman Sachs, reuniu uma equipa em Londres para "criar uma estrutura complicada para obter o empréstimo", escreve o Journal. 

Michael Sherwood e Richard Gnodde, chefes do banco em Londres, também acompanharam o processo, segundo a mesma fonte. A Goldman criou uma sociedade veículo, a Oak Finance, para estabelecer o financiamento. A Oak Finance terá sido usada para financiar um projeto na Venezuela. Esse seria o interesse da Goldman: ganhar negócios com o banco português, numa ponte com a Venezuela, país com que o BES tinha fortes relações. 

O empréstimo da Goldman de 835 milhões de dólares "entrou" no BES a 3 de julho. Segundo a Goldman, o Banco de Portugal disse a responsáveis do banco que este empréstimo ficaria no "banco bom", o Novo Banco, o que o Banco de Portugal nega. Em dezembro, o empréstimo foi transferido para o "banco mau", o BES, o que obrigou a Goldman a assumir o prejuízo já nas suas contas do último trimestre de 2014. O assunto gerou um conflito que está a gerar reuniões e conversas entre as partes. O Banco de Portugal justificou a sua decisão por a a Goldman ter tido uma posição acionista superior a 2% do BES (a Goldman comprou então 2,27% do banco).

Contactos pelo Wall Street Journal, José Luís Arnaut e António Esteves não quiseram comentar as informações publicadas.