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"Venda da Vivo garantia futuro da PT", diz Salgado

O presidente do BES, Ricardo Salgado, afirmou que o banco votou favoravelmente a proposta espanhola de compra da fatia da PT na Vivo, para assegurar a independência da operadora portuguesa.

Ricardo Salgado ressalvou que o BES sempre apoiou a PT no Brasil desde que a empresa entrou naquele mercado, em 1998, mas considerou que o expetável fim da 'golden-share', que Bruxelas deverá decretar a 8 de julho, aumenta o risco de a Telefónica ou outro operador internacional lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a PT.  

 

"Sempre considerámos a Vivo um ativo estratégico e fundamental para o

desenvolvimento da PT", disse Salgado, numa conferência de imprensa na

sede do BES, em Lisboa.  

 

Porém, o banqueiro frisou que "ao fim destes anos todos, é essencial deixar cair a parceria com a Teléfonica na Vivo". Em causa estão, continuou, as ameaças feitas pelos espanhóis sobre as dificuldades de convivência na gestão da Brasilcel - partilhada pela PT e pela Telefónica - o congelamento de dividendos provenientes do Brasil, e a ameaça da Telefónica lançar uma OPA à PT caso a proposta para a compra de 50 por cento da Vivo não fosse aprovada.  

 

O presidente do BES recordou a participação da Telefónica ao lado da Sonaecom na OPA lançada sobre a PT há quatro anos, mas sublinhou que a proposta apresentada na terça feira à noite, elevando a oferta para 7,15 mil milhões de euros, corresponde "a 90 por cento da capitalização bolsista da PT na atualidade".  

 

"Fica claríssimo que, com o anúncio recente do desaparecimento da golden-share, a Telefónica, daqui para a frente, terá maior interesse em adquirir a PT do que [adquirir] os 50 por cento na Vivo", disse Salgado.  

 

Justificando o voto favorável às pretensões espanholas na assembleia geral de hoje, Salgado disse que o BES votou com a maioria dos acionistas, apelidando os 74 por cento de votos favoráveis à venda da Vivo como uma "vaga de fundo".  

 

"A melhor forma de garantir o futuro da PT será a sua libertação desta parceria", sublinhou, acrescentando que caso o negócio tivesse avançado, "a PT teria novos recursos financeiros, podendo reduzir o seu passivo e equilibrar o fundo de pensões e fazer novos investimentos, inclusive no Brasil".