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Uma frase de Juncker para recordar. "No futuro, temos de poder substituir a troika"

A frase de Juncker pode abrir um pouco mais as portas para a negociação, fazendo a vontade ao ministro grego das Finanças

EMMANUEL DUNAND/AFP/Getty Images

Presidente da Comissão Europeia recebe Tsipras esta quarta-feira. Bruxelas está disposta a encontrar "soluções" mas recorda que é preciso acordo unânime dos 19 membros da zona euro.

Susana Frexes, em Bruxelas

A Comissão Europeia gostou de ouvir Alexis Tsipras dizer, este sábado, que vai "respeitar as obrigações com o BCE e o FMI" e que "está absolutamente confiante" num acordo que beneficie a Grécia e a Europa como um todo. Segundo Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão, as palavras do primeiro-ministro grego à Bloomberg "são o ponto de partida" para um encontro "construtivo", esta quarta-feira, na reunião agendada com Jean-Claude Juncker, em Bruxelas.

 

A disponibilidade de Atenas para cumprir os compromissos poderia levar a Comissão Europeia a apoiar o "desmantelamento da troika", avança hoje o diário espanhol "El País". Seria o fim do trio formado pela Comissão Europeia, pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu, que tem sido o símbolo da austeridade e com o qual a Grécia diz não querer continuar a negociar.

 

Questionada sobre a notícia, a Comissão diz não querer especular sobre eventuais soluções antes de ouvir as propostas do governo do Syriza. Mas, na resposta, Margaritis Schinas recordou também uma frase recente proferida por Jean-Claude Juncker ao Parlamento Europeu: "No futuro, temos de poder substituir a troika por uma estrutura mais responsável, mais legitimamente democrática, que preste contas dos seus atos".

 

No entender do Presidente, a nova estrutura deveria também assentar nas instituições europeias "com um controlo parlamentar reforçado quer a nível europeu, quer nacional".

 

A frase pode abrir um pouco mais as portas para a negociação, fazendo a vontade ao ministro grego das Finanças. Yanis Varoufakis não quer mais a delegação da troika em Atenas, antes pretende negociar diretamente com os credores, ou seja, os parceiros europeus.

 

O maior credor da dívida grega - mais de 40% - é o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, o fundo de resgate da zona euro. Qualquer solução que permita satisfazer as pretensões gregas - como a diminuição das taxas de juro ou o aumento do número de anos para pagar os empréstimos - terá, por isso, de convencer os restantes países do Eurogrupo.

 

"Qualquer acordo para seguir em frente tem de ter o acordo unânime dos 19 membros da zona euro", reforçou esta segunda-feira Margaritis Schinas na sua conferência de imprensa diária, em Bruxelas.

 

Este domingo, Varoufakis encontrou no seu homólogo francês, Michel Sapin, um apoio e um possível mediador para convencer os parceiros internacionais a reverem a situação grega, restruturação da dívida incluída. A única exigência que Sapin não aceita é o "perdão" nominal. Em Paris, Varoufakis disse querer encontrar um "acordo global" até ao fim de maio e que até lá "não serão pedidos novos empréstimos".

 

Já a Alemanha, mostra-se crítica do desaparecimento do organismo que tem orientado os programas de resgate. De acordo com um porta-voz do governo alemão, citado pelo "El País", "não há nenhum motivo para se afastar" a troika.

 

Na agenda ainda em vigor, a Grécia deverá sair do programa de resgate no final de fevereiro, mas a quinta avaliação, tal como o desembolso da última tranche de 1800 milhões de euros, continuam por concluir. Com a rejeição de qualquer conversa com a delegação da troika, o executivo grego terá rapidamente de decidir o que quer fazer a partir de fevereiro. Segundo o diário espanhol, a Comissão estará disponível para apoiar uma linha de crédito cautelar, mas sem a figura da troika e sem a aliança entre FMI e Europa.



O périplo que Varoufakis e Tsipras estão a fazer por Paris, Londres, Itália e Bruxelas será determinante para chegar a um compromisso ou, pelo menos, para esclarecer as regras por que se vai reger um eventual acordo entre União Europeia e Grécia.