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Ultrapassar o "mercado da saudade"

A iniciativa vai reunir pelo menos 300 patrões portugueses, luso-descendentes e franceses, na próxima segunda-feira, em Paris. Os ministros das Finanças de ambos os países participam no encontro.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

Um dos principais objectivos da reunião é, de acordo com a Câmara do Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP), que organiza o evento, ultrapassar o chamado "mercado da saudade" e alargar as ofertas dos produtos portugueses ao mercado francês. Segundo a CCIFP, "muitos empresários portugueses" apenas orientam as suas vendas para os portugueses e seus descendentes em França.



"A procura dos produtos portugueses é feita por ligação emocional e não empresarial e pretendemos alargar o mercado da saudade, abrir novos horizontes e criar um mercado mais amplo e inovador", diz Ricardo Simões, da direcção da CCIFP.



A venda de produtos portugueses no mercado francês é muito deficiente. Por exemplo, no sector da alimentação e bebidas, além do Vinho do Porto é muito difícil encontrar outros vinhos portugueses nas grandes cadeias francesas de distribuição. Nesta quinta-feira, o Expresso apenas encontrou uma marca de vinho tinto e outra de vinho verde na rede das lojas Nicolas, uma das principais cadeias de venda de bebidas alcoólicas em França.



O mesmo aconteceu numa visita a um grande supermercado parisiense da conhecida sociedade Monoprix, onde também as duas únicas marcas de vinhos portugueses presentes (um tinto do Dão e um verde) não tinham qualquer peso face à concorrência de dezenas de vinhos de Espanha, Itália, África do Sul, Argentina ou Chile.



Também o bacalhau raramente se encontra nas peixarias francesas. A distribuição de conservas de peixe e de azeite nacionais são igualmente muito deficientes. Esta fraquíssima presença no mercado alimentar francês é difícil de compreender, porque algumas das empresas portuguesas com maior peso em França operam, precisamente, nesse sector.



Estas sociedades de importação de produtos alimentares dedicam-se quase exclusivamente ao fornecimento de distribuidores e restaurantes de origem portuguesa. Na cadeia Nicolas, por exemplo, o vinho tinto proposto - Duas Quintas (Douro), por 8 euros - é distribuído por uma empresa francesa.



No fórum participam também alguns grupos sedeados em Portugal com interesses em França, bem como sociedades francesas com investimentos (ou interessadas em investir) em Portugal. O nosso país deseja igualmente atrair investimentos de empresas luso-descendentes.



O ministro português das Finanças, Teixeira dos Santos, e a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, estarão presentes na reunião, bem como o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, e o embaixador de Portugal em França, António Monteiro. Este último, que termina brevemente as suas funções em França, foi o principal impulsionador da criação, há dois anos, da CCIFP, depois de ter lançado o I Fórum empresarial.



Em França, existem actualmente cerca de 45 mil empresas dirigidas por portugueses ou por franco-portugueses, a larga maioria delas micro-empresas do ramo da construção civil.

"As Oportunidades de Investimento em Portugal", "Investimento em Portugal de Sociedades Luso-Descendentes: Uma Oportunidade Económica?" e "Empresas e Empresários Portugueses e Luso-Descendentes Motivo de Confiança e Motor da Internacionalização", são alguns dos temas em debate na reunião de segunda-feira.



O CCIFP é presidido por Vinhas Pereira, luso-descendente e responsável pela delegação da seguradora Fidelidade em França.