Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

TAM disponível para fusão com TAP no Brasil

As duas companhias aéreas podem juntar-se, no Brasil, na área da manutenção.

Margarida Fiúza, em São Paulo (www.expresso.pt)

A fusão entre a TAP e a brasileira TAM volta a ser motivo de discussão, mas isso não significa que esteja em cima da mesa de prioridades da companhia aérea portuguesa.

Um mês depois de Fernando Pinto, presidente executivo da transportadora, ter garantido que não havia qualquer tipo de conversações com a TAM e a angolana TAAG, no sentido de uma concentração, é Ruy Amparo, vice-presidente da TAM Operações e MRO (Maintenance, Repair & Overhaul), quem avança com um cenário de aproximação.

Desta feita, entre as áreas de manutenção de ambas as empresas no Brasil. "Temos um grande desejo de trabalhar juntos, mas ainda não conseguimos concretizar", afirmou o gestor à margem da visita ao centro tecnológico da companhia em São Paulo, Brasil.

TAP desconhece interesse da TAM 

Confrontada com estas declarações, fonte da TAP diz que a companhia desconhece quais são as intenções da TAM nessa matéria, avançando não ser "muito correcto lançar em público expectativas de algo sobre a qual a TAP não tem informação concreta". Ainda assim, salienta a mesma fonte, "as empresas mantêm uma boa parceria comercial".

Segundo Ruy Amparo, a decisão de avançar com um spin-off da empresa de manutenção da TAM será tomada até ao final do primeiro semestre deste ano, pelo que "oito a dez  das principais empresas do mundo estão no nosso alvo", revela o vice-presidente.

Além da TAP Manutenção & Engenharia (M&E) Brasil, também companhias como a Lufthansa, a Singapore Airlines e a Iberia estão a ser analisadas, assim como a possibilidade de encontrar um parceiro financeiro.

Outra hipótese que se coloca é a de criar várias alianças em cada uma das áreas de negócio da empresa, encontrando parceiros diferentes para a manutenção de aviões grandes, de aviões pequenos e para a pintura, por exemplo.

Mega-companhia 

Em Outubro  do ano passado, Fernando Pinto chegou a considerar que a fusão das três companhias poderia ser estratégica e dar origem a uma empresa muito forte. A concentração criaria uma companhia aérea com base em três continentes, mais de 200 aviões, 30 mil trabalhadores e mais de 40 milhões de passageiros transportados.

Mas o acordo não chegou a avançar. Os presidentes executivos das companhias têm rejeitado a hipótese de fusão e, fontes do sector dizem ao Expresso que, para já, apenas o casamento entre as áreas de manutenção faz sentido.

A TAM MRO já é cliente da TAP M&E Brasil e dedica-se mais à manutenção de aeronaves Airbus, o que poderia complementar a actividade da subsidiária portuguesa, que está mais especializada em aviões Boieng.

As mesmas fontes adiantam que a fusão entre as companhias ainda é uma possibilidade pouco provável, já que a TAM, que tem a família Amaro como principal accionista, é uma empresa privada que opera com uma filosofia completamente diferente da TAP.

Já a relação com a TAAG, porém, pode evoluir para "uma cooperação mais institucional no futuro", adianta fonte da transportadora aérea portuguesa. "A TAP considera que África é um dos mercados onde a companhia pode crescer, sendo Angola o país onde tem uma presença mais forte, com 10 ligações por semana", acrescenta.

Sintomáticos da vontade de a TAP estar cada vez mais da companhia angolana poderão ser os factos de, segundo a mesma fonte, a transportadora portuguesa se ter "colocado à disposição da TAAG" quando esta, em Agosto de 2009, foi autorizada a retomar os seus voos entre Luanda e Lisboa, e de haver já acções de cooperação ao nível da formação técnica de pessoal. O resto cabe ao accionista Estado decidir.