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Somos dos países que mais tempo leva a pagar facturas

Além de Portugal, Grécia e Chipre são os países europeus onde o risco de pagamento é maior, segundo dados da Intrum Justitia.

Portugal é um dos países europeus onde o risco de pagamento é maior e onde a taxa de casos incobráveis aumentou em 2008, devido à crise financeira e à subida do petróleo, revelou hoje a Intrum Justitia.

"A Grécia, Chipre e Portugal são os países europeus onde o risco de pagamento é o maior e em que os pagamentos assumidos pelas empresas como incobráveis subiu de 2,5 para 2,7 por cento, em resultado da crise financeira internacional e da subida do preço do petróleo", disse aos jornalistas, em Lisboa, o director-geral para Portugal e Espanha do grupo líder no sector de gestão de cobranças na Europa.

Os países nórdicos são aqueles em que o risco de pagamento é menor, enquanto nos países do Leste europeu "não é boa", segundo Luís Salvaterra.

O índice de risco é um indicador desenvolvido pela Intrum Justitia, líder europeu de serviços de gestão de crédito, que entre Janeiro e Março, recolheu informação junto de 6.000 empresas, de 26 países da Europa.

O gestor referiu ainda que o risco de pagamento aumentou este ano em Portugal, comparativamente a 2007, embora traduza "uma situação estrutural que se tem agravado", e que se verifica desde o ano 2000, altura em que a pan-europeia Intrum Justitia iniciou este estudo anual.

Embora o trabalho reconheça que em Portugal o prazo médio de pagamentos diminuiu ligeiramente, com 49,6 por cento dos pagamentos a serem efectuados a 60 dias, o valor dos incobráveis aumentou de 2,5 para 2,7 por cento em relação ao montante das vendas.

O gestor considera crucial que os empresários em Portugal tenham "uma visão mais ampla" ao pôr em prática uma gestão correcta do crédito.

"Não se trata de contactar o cliente que paga mais tarde, é necessário analisar os possíveis riscos, verificar a situação financeira dos consumidores e definir políticas de crédito correctas", adiantou.

Já no caso dos particulares, o atraso no pagamento caiu de 55,1 dias em 2006, para 53,3 dias em 2008, enquanto que a duração dos pagamentos ao nível deste segmento diminuiu de 21,6 para 19,3 dias, respectivamente.

Já em relação ao Estado português, este tarda em média a pagar, aproximadamente o dobro de dias dos seus congéneres europeus, uma situação comum aos países do Sul da Europa.

"Esta situação tem efeitos dramáticos no desenvolvimento da economia, nomeadamente pondo em risco a sobrevivência das pequenas e médias empresas", salientou Luís Salvaterra.

O pagamento de facturas na Europa é em média de 55,5 dias, contra 58,6 dias em 2007, mas os países do Sul da Europa são os mais faltosos.

Na Europa, as facturas dadas como incobráveis atingiram o nível mais elevado este ano, com uma taxa de crescimento 2 por cento do volume de vendas, em comparação com 1,9 por cento em 2007.

O Estado, na Europa, continua a ser "o piors pagador", ao levar em média 65 dias para saldar as suas dívidas, enquanto os empresários levam 55 dias e os consumidores 40 dias.

Luís Salvaterra manifestou ainda a sua preocupação pelo facto de as empresas estarem a esquecer-se da importância da gestão ligada aos pagamentos, uma vez que a conjuntura mudou, e os bancos estão a limitar o crédito concedido, o que trará problemas de liquidez ou de expansão.

O estudo refere também que 55 por cento das empresas inquiridas a nível europeu acreditam que os riscos de pagamentos vão permanecer inalterados, contra 30 por cento que responderam que será difícil receber os pagamentos em atraso.

As empresas na Hungria, Irlanda, Espanha e em Portugal são as mais pessimistas, adianta o estudo.