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Soares dos Santos deixa presidência da Jerónimo Martins

O líder histórico da Jerónimo Martins anuncia demissão da presidência por razões pessoais, no dia em que faz 79 anos.

Alexandre Soares dos Santos vai abandonar a presidência da Jerónimo Martins. A informação foi avançada há minutos pela empresa, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, justificando a renúncia ao cargo com "razões pessoais".



De acordo com o mesmo comunicado, a renúncia tem efeito a partir de 1 de novembro, não sendo feita qualquer referência ao processo de nomeação de um futuro presidente não executivo da empresa. 



A saída de Alexandre Soares dos Santos estava a ser adiada há já alguns anos. Em 2011, em entrevista ao Expresso, o presidente da empresa dizia com ironia que já era "uma letra vencida" e que o futuro da empresa passava pelas novas gerações. Nomeadamente os filhos.



A nomeação de Pedro Soares dos Santos para o cargo de CEO da Jerónimo Martins, em abril de 2010, foi, aliás, um primeiro passo para uma transição que já previa o afastamento a médio prazo Alexandre de Soares dos Santos da empresa. A ideia era uma saída progressiva que lhe permitisse, a prazo, concentrar-se a 100% nos trabalhos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que criou em homenagem ao seu avô e que tem por objetivo "estudar os grandes problemas nacionais e levá-los ao conhecimento da sociedade civil". 2012 era o timing previsto para a saída. Mas os planos saíram-lhe furados.



"Comecei a desmamar da JM em julho (de 2012) e tencionava sair mesmo. Mas o conselho de Administração, e em particular o CEO, defenderam que com o lançamento da Colômbia, nomear um novo presidente era muita coisa ao mesmo tempo. E podia originar falta de integração ou de relação até por questões de tempo. Então pediram-me para ficar mais uns tempos. E acedi com gosto", explicou em abril deste ano.



A coincidência de pai e filho como Presidente e CEO sempre foi, no entanto, sempre assumida por Soares dos Santos como "meramente passageira". "É sempre bom haver controlos a todos os níveis. Portanto entendo que quando o presidente é da família o administrador não deve ser. E vice-versa". E hoje confirmou-se essa intenção.

A maior fortuna do país 

Alexandre Soares dos Santos Nasceu no Porto, em 1934 e frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa, sem terminar o curso. Iniciou acarreira profissional em 1957, na Unilever N.V., como Manager Trainee e estagiou posteriormente na Alemanha e na Irlanda. Entre 1964 e 1968 assumiu as funções de Director de Marketing da Unilever Brasil, entre 1964 e 1968.



Em 1968, após a morte do seu pai, regressa a Portugal para integrar o Conselho de Administração do Grupo Jerónimo Martins, como Administrador-Delegado. Assumiu depois a presidência da Comissão Executiva da empresa, cargo que acumulou com o de Presidente do Conselho de Administração de 1996 a 2004.



Segundo a revista Exame, em 2012 Alexandre Soares dos Santos ultrapassou Américo Amorim como detentor da maior fortuna do país, avaliada em cerca de 2070 milhões de euros. O grupo Jerónimo Martins iniciou este ano, já sob a liderança executiva de Pedro Soares dos Santos, o investimento na Colômbia, a nova aposta na área da distribuição depois de Portugal e Polónia. Na Colômbia a Jerónimo Martins prevê investir este ano cerca de 100 milhões noarranque da atividade da nova cadeia de supermercado "Ara", que terá entre 30 a 40 lojas até ao fim do ano.



Com a entrada do grupo nesta nova geografia foi criado um novo tipo de organização com a criação de uma holding familiar com sede na Holanda - a Sociedade Francisco Manuel dos Santos BV -, que detém a participação de 56,1% na Jerónimo Martins, sgps.



Esta holding passou a deter a totalidade do capital de quatro subholdings em território holandês: Tagus (51% na Jerónimo Martins Retalho, dona do Pingo Doce, retalho na Madeira e a Recheio), Monterroio (100% da Jerónimo Martins Distribuição; 45% da Unilever Jerónimo Martins; e 45% da Gallo Worldwide, duas joint-ventures com a Unilever), Warta (100% da Bliska, negócios das farmácias, 100% da AJM Dystrybucja, dona da Biedronka, detida através de uma empresa holandesa a Tand BV), e New World (100% da Jerónimo Martins Colômbia SAS).



Em resposta à polémica gerada com a mudança da sede da holding familiar para a Holanda, Soares dos Santos justificou a medida com as garantias fiscais e de captação de investimento necessárias para os investimentos internacionais da Jerónimo Martins. E, em entrevista ao Expresso, foi mais longe: "Não sei se Portugal fica no Euro. Tenho o direito a defender o meu património".