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Roménia substituiu Hungria no clube da bancarrota

A Roménia subiu ao 10º lugar do TOP 10 mundial do risco de default. Substituiu a Hungria, que conseguiu desanuviar os rumores de sexta-feira passada. Bolsas americanas voltam a cair

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Em simultâneo com o alerta do Banco Central Europeu para uma nova "vulnerabilidade" da União Europeia situada nas economias do Leste da Europa, manifestou-se claramente nos mercados financeiros da dívida soberana a emergência de uma nova "frente" de risco de default (incumprimento da dívida), como sublinhámos na semana passada.

A Hungria surgiu na mira da onda de nervosismo dos investidores no mercado da dívida na sexta-feira passada (4/06) depois de rumores e más traduções do húngaro para o inglês se espalharem sobre a questão da manutenção ou não do objectivo de 3,8% do PIB para o défice deste ano do governo de Budapeste. 

O novo governo (que tomou posse a 29 de Maio) conseguiu no fim-de-semana e durante o dia de hoje "acalmar" os rumores e mal-entendidos, garantindo que será necessário um esforço de corte da despesa pública de 1% a 1,5% do PIB ainda este ano. A bolsa de Budapeste fechou hoje em ligeira queda e a Hungria saiu do TOP 10 mundial do risco de bancarrota, ainda que mantendo uma probabilidade de default próxima dos 23%, segundo o monitor da CMA DataVision.

Deste modo, o candidato seguinte do Leste surgiu na ribalta: a Roménia, como tínhamos apontado. A meio da tarde de hoje, a pátria do conde Vlad subiu para o lugar ocupado pela Hungria no clube de maior risco mundial e a bolsa de Bucareste caiu mais de 1%.

O governo romeno do primeiro ministro Emil Boc ainda não conseguiu fazer passar o seu plano de austeridade no Parlamento que implicará um corte de 25% nos ordenados da função pública e 15% nas pensões de reforma. O que permitirá uma poupança de €2 mil milhões.

No meio de manifestações sindicais e de divergências no seio do seu próprio partido, Boc advertiu que a próxima tranche do empréstimo do Fundo Monetário Internacional poderá ser posta em causa. Avisou que a não ser aprovado o plano, ocorrerá, este ano, um disparo do défice público do objectivo de 6,8% (acordado com o FMI) para 9,1% do PIB, o que exigirá recorrer a empréstimos adicionais no valor de €11 mil milhões para tapar o buraco.

A situação de instabilidade na Roménia pode ter um efeito directo sobre a actividade de muitas empresas portuguesas de consultoria de gestão e de tecnologias de informação envolvidas em projectos financiados pelos fundos europeus e na área da construção civil.

Grécia e Portugal conservam as suas posições de número três e número oito respectivamente no TOP 10 do risco de incumprimento da dívida soberana num horizonte de cinco anos. Apesar de estarem, por ora, afastados da rampa de lançamento para entrada no clube de maior risco, Irlanda, Espanha e Itália continuam com probabilidades de default acima dos 19%.

Este novo desenvolvimento da crise relacionada com o endividamento da União Europeia provocou, de novo, nervosismo nas bolsas, com as europeias a fechar no vermelho (a maior queda foi em Atenas, na ordem dos 5,5%) e o Dow Jones e o Nasdaq nos EUA, de novo, a fecharem no vermelho.

O efeito sobre o euro não se fez esperar ao longo do dia: nova queda abaixo do patamar dos 1,2 dólares por cada euro. Desde final de Maio, o euro já se desvalorizou 2,7%.