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Risco dos PIIGS continua no vermelho

Apesar das medidas tomadas por Bruxelas, continua alta a probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) no grupo mais frágil. Grécia e Portugal mantêm-se no TOP 10 mundial e Irlanda, Espanha e Itália aumentaram o risco

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

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Apesar do pico de probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) ter ocorrido a 6 de Maio quando a Grécia atingiu o primeiro lugar do TOP 10 mundial (ultrapassando Argentina e Venezuela) e Portugal o sexto lugar, o risco mantém-se elevado nestes últimos dias de Maio.

Mesmo com as medidas tomadas em Bruxelas (nomeadamente a criação da Facilidade Europeia de Estabilidade), a Grécia conseguiu, ao longo do mês, baixar apenas de 3º para 4º lugar no TOP 10 e Portugal de 7º para 8º. A probabilidade de default desceu apenas 4 pontos percentuais no caso da Grécia e dois e meio no caso de Portugal entre o início de Maio e dia 28.

Atenas mantém uma percepção de risco neste mercado de crédito acima de 42% e Lisboa acima de 23%, segundo o monitor da CMA DataVision.

Também os restantes membros do grupo dos cinco, humoristicamente designado pejorativamente por PIIGS (agora, uma nova versão baptizou-o de GIIPS, o que também tem uma conotação duvidosa), viram as suas probabilidades de default aumentarem ao longo do mês.

No caso da Irlanda passou, entre o início de Maio e dia 28, de 17,5% para 18%, no caso de Espanha de 16,6% para 17,16% e para Itália de 13,19% para 15,75%. Irlanda e Espanha encontram-se claramente acima do que temos designado por "linha Maginot" (16% de probabilidade de default). Também a Roménia e a Lituânia, que estão fora da zona euro,  mas pertencem à União Europeia, ultrapassaram este mês tal nível de risco.

No TOP 10 estão hoje quatro países europeus: Grécia (4º lugar), Ucrânia (5º lugar), Portugal (8º lugar) e Letónia (10º lugar) - em suma, dois da zona euro e três membros da União Europeia. O Top 10 conta com países com mais de 21% de risco de default.

"Nervosismo" em relação ao "tigre celta"

O caso da percepção "nervosa" sobre a Irlanda - que, este mês, por um breve período chegou a entrar no TOP 10 para o 10º lugar - tem derivado, no imediato, da situação do seu sistema financeiro, que foi dos que atingiu um nível de alavancagem mais elevado no mundo durante os anos da "bolha".

As necessidades de refinanciamento das cinco principais entidades financeiras de Dublin ascendem este ano a mais de 71 mil milhões de euros, ou seja 45% do PIB do país (em comparação, no caso dos quatro principais bancos portugueses o refinanciamento andará pelos 15 mil milhões, 9% do PIB), segundo dados divulgados, esta semana, em Dublin pelo portal de economistas The Irish Economy. O debate no jornal Irish Times aqueceu este fim de semana e um dos intervenientes conclui: "Os próximos meses testarão a credibilidade da Irlanda".

O sistema bancário irlandês foi, também, o que mais recorreu aos financiamentos do Banco Central Europeu - o stock de financiamento do BCE ao sistema irlandês representava, no final de Abril, 49% do PIB do antigo "tigre celta" (em comparação, no caso grego, o stock representava 28,2% e no caso português 10,8%), segundo dados apurados pelo jornalista João Silvestre, e publicados no artigo "A rede de segurança do Banco Central Europeu" (publicado na edição impressa do Expresso deste sábado, 29/05/10). O que dá uma dimensão do stresse financeiro que campeia em Dublin.

Apesar das medidas pioneiras de austeridade tomadas pelo governo da Irlanda, a percepção dos grandes investidores não esquece a realidade financeira subjacente.

Fitch baixa o rating de Espanha

A noticia da semana foi a decisão da agência de notação Fitch em retirar Espanha do nível máximo de rating de triplo A, onde se encontram países como os Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido. O rating do nosso vizinho baixou para AA+ (por comparação, Portugal tem um rating actual de AA-), mas com um "Outlook" estável (enquanto, no caso português, o "outlook" foi considerado negativo).

O que preocupa a Fitch são as perspectivas de crescimento medíocre desta economia que é a 9ª economia do mundo (logo a seguir ao Brasil) e a 5ª da União Europeia (a seguir à Itália), em termos de produto interno bruto (a valores nominais). A Fitch aponta números para um crescimento real do PIB relativamente fraco, contrastando com os dados oficiais do governo espanhol. A média de 2010 a 2013 não ultrapassará 1,2%, segundo a Fitch, enquanto a perspectiva oficial se cifra acima de 2%.

A Fitch, no relatório "Sluggish Recovery key risk for Spain" (28/05/10), realiza uma comparação sobre os resultados oficiais pretendidos com os programas de ajustamento em curso na Europa, para os comparar com Espanha.

Algumas constatações podem ser retiradas:

- Em 2012, quatro países da zona euro mantém um nível de dívida pública directa em relação ao PIB de cada país superior a 90%: Grécia (148,8%), Itália (117,2%), Bélgica (100,6%) e Portugal (90,7%). O patamar dos 90% é considerado pelos investigadores históricos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff (em "Growth in a time of debt", Janeiro 2010, apresentado na reunião anual da American Economic Association, publicado por NBER Working Paper 15639) como o limiar a partir do qual sérias repercussões negativas ocorrem no potencial de crescimento dos países desenvolvidos. Muito próximo ficará o Reino Unido (88,7%). Espanha, neste grupo, é o que atingirá um nível mais baixo (74,3%) em 2012;

- Os países com ajustamento mais rápido baixando o défice público em relação ao PIB para o limiar dos 3% (imperativo na zona euro), segundo a Fitch, serão a Itália e a Bélgica já em 2012 e Espanha no ano seguinte;

- A Grécia e a Irlanda só atingirão o limiar dos 3% em 2014 e o Reino Unido (que está fora da zona euro) nem em 2014 o atingirá, mantendo-se a interrogação de quando o conseguirá (no entanto, mantém um rating de triplo A enquanto que a Irlanda tem AA- e a Espanha AA+).