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Revista americana alerta para risco de "crash" nas bolsas

A Fortune, conhecida revista americana de negócios, admite a possibilidade de uma nova derrocada bolsista nos próximos dois anos. O mini-crash que ontem ocorreu em Wall Street veio virar os holofotes para esta previsão.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

O editor sénior da revista americana Fortune, Shawn Tully, admitiu num artigo publicado esta semana que temos uma "probabilidade de um em três" das bolsas sofrerem uma correcção "no próximo ano ou no seguinte similar à que ocorreu em 1987".

Esta probabilidade é assim tão alta porque, segundo os cálculos de Tully, as acções voltaram a ficar excessivamente valorizadas em relação à "média histórica" desde a bolha ou "bolhinha" bolsista a partir de Março de 2009, quando o crash bolsista iniciado em Outubro de 2007 chegou ao seu ponto mais baixo.

Tully admite que a correcção a ocorrer se poderá cifrar numa derrocada próxima dos 33% no índice S&P 500, o mais importante. O editor da Fortune recorre a um indicador usado por Robert Shiller para avaliar os ciclos de bolha e crash bolsistas, que permitiram ao professor Shiller detectar os sintomas de crash das tecnológicas em 2000 (Nasdaq) e mais recentemente da grande derrocada iniciada em Outubro de 2007 que se viria a cifrar em 53,78%, a segunda maior da história do indicador Dow Jones norte-americano.

Sinal de alarme a partir de Abril

Usando o múltiplo da relação entre o preço das acções e os ganhos estimados (tecnicamente designado por P/E, a partir da designação inglesa de price-to-earnings ratio, e ciclicamente ajustado, pelo que, também, é conhecido por CAPE), Shiller verificou que, historicamente, há uma "média" para as acções abrangidas pelo S&P 500 que se aproxima dos 14 (ou seja, o múltiplo é, em média, 14 vezes o preço de uma acção). Acima desse múltiplo, as acções estariam numa onda de aquecimento que a partir de determinado múltiplo indiciam o risco de uma derrocada bolsista.

Os dados coligidos por Shiller indicam que a partir de Março de 2009, quando se iniciou a nova alta bolsista, o múltiplo subiu de 13,3 para mais de 21,77 no final de Abril deste ano. Por isso, as sirenes de alarme voltam a tocar. O múltiplo havia atingido um pico de 27,54 em Maio de 2007 tendo depois declinado até Março de 2009, quando se inverteu a tendência, de novo.