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Relação entre PT e Telefónica "no limite"

Os últimos desenvolvimentos em torno da tentativa de compra da participação que a PT tem na brasileira Vivo pela Telefónica agudizaram as relações entre as duas empresas e segundo os analistas a situação pode piorar.

"O convívio entre as duas operadoras está no limite", realçou à agência Lusa Pedro Lino, administrador da DIF Broker, sublinhando que, com a recusa da Portugal Telecom (PT) em vender a sua posição na Vivo, os espanhóis "podem dificultar a gestão da operadora no Brasil, boicotando a retirada de dividendos, o que comprometeria a entrega de dividendos elevados com que a PT se comprometeu com os acionistas (até 2012) no âmbito da defesa da OPA lançada há quatro anos pela Sonaecom".  



Um analista contactado pela Lusa que pediu para não ser identificado também realçou que "já existe alguma tensão entre os acionistas desde que a Telefónica apoiou a OPA lançada pela Sonaecom sobre a PT, que a intensificar-se, poderá colocar pressão no 'board' [administração] da Vivo, onde a PT e a Telefónica têm o mesmo peso no processo de decisão".  



"Não esperava uma escalada deste conflito como a que está a acontecer", admitiu a mesma fonte.  



Outra analista especializada no sector das telecomunicações, que também não quis ser citada, alinhou pelo mesmo diapasão, dizendo que o desfecho da atual contenda que divide portugueses e espanhóis "depende muito do 'feedback' [reação] que a Telefónica obtenha junto dos investidores institucionais no 'roadshow' [exposição] que está a fazer desde hoje".  



Bava fala em chantagem

O presidente executivo da PT classificou hoje de "tentativa de chantagem" a ameaça da Telefónica em cortar os dividendos da brasileira Vivo à empresa portuguesa.  



Zeinal Bava, em declarações ao Financial Times, afirmou que entende que a decisão de recusar uma oferta da Telefónica de 5,7 mil milhões de euros pela participação da PT na Vivo "não agrade ao CFO [Chief Financial Officer] da Telefónica" e acrescentou que "a tentativa de chantagem sobre a distribuição de dividendos da Vivo não nos intimida e é inaceitável".



O presidente da PT comentava as declarações do CFO da Telefónica, Santiago albuena, que disse querer colocar pressão junto dos acionistas da operadora portuguesa, ameaçando que a empresa espanhola poderá bloquear o acesso da PT aos dividendos da Vivo.  



*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***