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Reitor da Universidade do Porto quer estudantes a viajarem mais

Marques dos Santos foi o único orador português no Encontro de Reitores Ibero-Americanos, que termina hoje no México. O reitor lançou o desafio de, até 2015, 2,5% dos estudantes ibero-americanos estarem num programa de mobilidade internacional.

Ana Sofia Santos*, em Guadalajara (www.expresso.pt)

O reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos, esteve em Guadalajara no México a falar sobre a mobilidade de alunos e docentes do ensino superior. O português presidiu a uma das onze mesas de debate organizadas no âmbito do Encontro de Reitores Ibero-Americanos e foi um dos 15 reitores nacionais que participam neste mega-evento, que reúne mais de mil participantes.



Marques dos Santos deixou o desafio às universidades ibero-americanas de, até 2015, terem 2,5% dos seus estudantes abrangidos por programas de mobilidade internacional. Um patamar que em 2020 deveria ser de 5%.



Estes objectivos, admitiu o reitor, podem parecer pouco ambiciosos face à meta de 20% de estudantes envolvidos em projectos de intercâmbio entre universidades, em 2020, definida em Abril de 2009 pelos ministros da educação superior da União Europeia.



Porém, há que ter em conta que se estima que "hoje em dia a participação de estudantes em programas de mobilidade nos países ibero-americanos (excluindo Portugal e Espanha) seja inferior a 1%. E estes números são ainda mais reduzidos no caso dos docentes", focou Marques dos Santos.

"Metas ambiciosas, mas realistas"

Ou seja, para atingir as metas de 2,5% e de 5% significa que "as actuais taxas teriam que mais do que duplicar nos próximos cinco anos e crescer cinco vezes, até 2020". O reitor apontou que se trata de um esforço que apenas será possível com um forte apoio por parte "dos governos, das universidades, das empresas, das famílias e de outras instituições da sociedade civil".



Isto porque há muitos obstáculos para ultrapassar, entre os quais a falta de meios financeiros. Um problema que pode ser combatido através da criação de redes universitárias no espaço ibero-americano e o estabelecimento de acordos de mobilidade entre diferentes universidades.



No ano lectivo de 2007/08, mais de 182 mil estudantes participaram num programa de mobilidade no espaço europeu, no âmbito do conhecido Erasmus, dos quais 14,5% eram alemães, 14,2% franceses e 13,7% espanhóis. Os portugueses representaram 2,6% deste total, o que está sobretudo relacionado com a dimensão do nosso país.



A nível mundial, em 2007, cerca de 3 milhões de estudantes beneficiaram de experiências de intercâmbio, dos quais 2,5 milhões estavam a formar-se em países da OCDE.



Na opinião de Marques dos Santos também é fundamental estimular as empresas para apoiarem e financiarem este tipo de projecto, "contribuindo para o desenvolvimento dos países e devolvendo à sociedade os benefícios que têm com a sua actividade".



No final, Marques dos Santos deixou treze propostas de acção para estimular a mobilidade, "um pilar fundamental para a internacionalização das universidades", entre as quais:



- Promover a criação de redes e associações de universidades no espaço ibero-americano e estabelecer acordos específicos para a mobilidade entre essas universidades;

- Estabelecer contactos com os Governos de cada país para criar programas (ou estender os que já existem) de apoio à mobilidade universitária e à internacionalização das universidades;

- Estimular empresas e instituições, entre outros elementos da sociedade, para financiarem programas de mobilidade e, desta forma, criar condições para uma articulação mais próxima entre as universidades e a sociedade;

- Criar, nas universidades, programas específicos para apoiar a mobilidade de estudantes com dificuldades económicas;

- Aproveitar o crescente número de plataformas tecnológicas para dinamizar iniciativas de mobilidade virtual (ensino à distância), o que, além de reduzir os custos, ajudaria a ultrapassar problemas relacionados a concessão de vistos, por exemplo.





*A jornalista viajou a convite do Santander