Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Regulador da Bolsa nos EUA abre inquérito

Desde há pelo menos nove anos que a SEC, órgão regulador da Bolsa nos EUA, vinha sendo alertada sobre os suspeitos esquemas de Bernard Madoff.

Maria Luiza Rolim*

O órgão que regula a Bolsa americana admite ter recebido desde 1999 "repetidas e credíveis" denúncias sobre o financeiro Bernard Madoff. A SEC reconhece que falhou na sua missão fiscalizadora, tendo ordenado hoje a abertura de uma investigação interna para determinar por que não se detectou a tempo aquela que pode ser a maior fraude financeira de sempre.

A notícia do inquérito da SEC é um dos destaques das edições online de hoje dos jornais espanhóis. Segundo o 'El Mundo', a fraude supera os 50 mil milhões de dólares.  A edição online da BBC diz que a decisão da SEC foi tomada depois de o órgão regulador da Bolsa nos EUA ter sido alvo de violentas críticas pela sua actuação no caso.

Zapatero pede explicação à SEC

Em Espanha, bancos como o BBVA e o Santander foram afectados pela pirâmide financeira de Madoff, pelo que o Governo de Zapatero anunciou que pedirá explicações à SEC, revela o jornal 'El País'. 

Segundo o 'Le Monde', o caso Madoff fez cair o banco espanhol Santander do seu pedestal. O prestigiado jornal francês questiona como é que o primeiro banco europeu pôde ser afectado pela fraude de Madooff.

Entretanto, a americana Fairfield Greenwich Group, uma das empresas mais afectadas pelo caso com a alegada perda de 7,5 mil milhões de dólares, aplicados nos fundos de Madoff, comprometeu-se a recuperar esse dinheiro.

Na sua edição na Internet, o jornal 'El mundo' diz que a empresa enviou uma carta aos seus clientes, dando conta do "nosso sobressalto e consternação pela notícia da detenção de Bernard L. Madoff".

Fundador da  Fairfield suspeito

A Fairfield é uma empresa americana que tem como co-fundador o colombiano Andrés Piedrahíta, que reside em Madrid e é responsável pelas suas actividades em Espanha e na América Latina.

Um porta-voz da empresa em Nova Iorque, citado pelo 'El País', diz que a Fairfield está a trabalhar para responder aos crescentes pedidos de informação dos seus clientes.

No mesmo comunicado, o funcionário da Fairfield diz mesmo que a estrutura criada pelo até então reputado corretor financeiro de 70 anos "parece ser uma enorme e sofisticada fraude, talvez a maior da história". 

Enquanto cresce a lista de vítimas de Madoff, aumentam também as suspeitas de um possível envolvimento do co-fundador da Fairfield e do seu sogro no esquema fradulento.

No entanto, uma voz levanta-se a favor de Piedrahíta. O empresário hispano-argentino Martin Varsavsky, com relações financeiras com a Fairfield há muitos anos, defende que embora "seja difícil de acreditar, Andrés Piedrahíta e o seu sogro Walter Noel são vítimas e não cúmplices de Madoff".