Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Portugal volta a subir hoje no risco de bancarrota

Depois de ter terminado em 9º lugar ontem, a probabilidade de default (de incumprimento da dívida soberana) volta a subir mais um degrau. Ao meio dia passou para 8º lugar no TOP 10 mundial

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Depois do dia de ontem ter sido o de maior "sobe e desce" no caso português, com reentradas e saídas alucinantes ao longo do dia no TOP 10 mundial de maior probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana), Portugal subiu hoje, ao meio dia, para 8º lugar com um risco estimado de 21,81%, segundo o monitor da CMA DataVision.

A par do movimento de ataque generalizado à zona euro por parte dos grandes investidores por razões que se prendem a fragilidades financeiras e políticas, no caso português há que ter em conta a convergência de factores internos que se prendem em particular com o alto nível de endividamento externo total do país e com a margem de manobra política e social existente para inverter esta tendência.

A maleita do endividamento externo é, no entanto, comum ao conjunto da União Europeia, a região do mundo mais endividada (mais de 60% da dívida externa mundial).

Os dados de referência no caso português são os seguintes:

a) uma dívida externa total que era 233% do PIB no final do ano passado;

b) nessa dívida externa total, a fatia respeitante à banca comercial é de 114%, ao sector privado não bancário de 34%, ao governo de 60%, ao banco central português de 14% e ao investimento directo estrangeiro de 11%, segundo dados do Banco Mundial, divulgados pela Eurointelligence;

c) o peso desta dívida externa total nas exportações era de 817%;

d) o peso da dívida pública externa nas receitas de impostos era de 189%;

e)  está entre os cinco países com maior nível de endividamento externo total (público e privado) face ao PIB: Irlanda (1009%); Holanda (468%); Reino Unido (413%), Bélgica (293%); Portugal (233%).

f) é o terceiro país "rico" a levar mais tempo a conseguir diminuir a dívida pública para o nível de 60% do PIB, segundo o indicador de "stresse da dívida" do IMD, divulgado ontem. Só em 2037 conseguirá esse desiderato.