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Patrões portugueses finalmente unidos

Morreu a CIP, nasceu outra CIP. A CIP-Confederação Empresarial de Portugal resulta de uma fusão tripartida e torna-se na voz única do empresariado português.

Uma nova e reformulada CIP foi esta tarde apresentada no Porto. A sigla significa agora Confederação Empresarial de Portugal. A nova organização de cúpula do empresariado português resulta da fusão da "velha" CIP - Confederação Industrial Portuguesa, com a AEP-Associação Empresarial de Portugal e AIP-Associação Industrial Portuguesa.

A nova confederação mantém o "bilhete de identidade" da CIP para não ter de alterar filiações ou perder o lugar na concertação social. Mas muda o logotipo e a filosofia. O empresariado passa a falar a uma só voz, e reforça a capacidade de representação e lóbi disperso até agora pelas três organizações.

O primeiro presidente da nova CIP é António Saraiva, o atual presidente da CIP. No acordo tripartido, coube à AEP indicar o presidente da Assembleia Geral, à AIP do Conselho Fiscal e à CIP do Conselho Geral, um órgão que acolherá 57 representantes de associações regionais, setoriais e empresas. O presidente do Conselho Geral será o presidente da direção, que terá 19 elementos.

 Nada desaparece 



Rocha de Matos, presidente da AIP, notou que nesta fusão "nada desaparece, tudo se transforma", António Saraiva acredita num processo de otimização que fará "com que a soma de 1+1+1 seja igual a 4" e João Gomes Esteves, presidente da Comissão Instaladora, não resistiu à comparação futebolística da goleada da Selecção portuguesa, dizendo que este anúncio "é um momento histórico para o país e para a economia nacional". Mantendo o tom futebolístico, José António Barros (AEP) salientou que "neste processo só há ganhadores" e que a "massa associativa" que a nova confederação representa meterá respeito ao poder político.

Apesar da sede em Lisboa, a repartição geográfica dos seis departamentos será salomónica. Os serviços mais ligados às empresas serão desempenhados pelo braço nortenho da CIP, a instalar no Edifício da AEP, em Matosinhos.

Este foi o terceiro ato de uma fusão tripartida que começou, em 2004, com uma tentativa falhada para unir CIP, AIP e AEP. Em Outubro passado, AEP e AIP assinaram um novo acordo de princípio para uma "fusão progressiva" e uma confederação única (CEP). O acordo previa que a CIP surgisse entre os fundadores. Na altura, a direção da CIP estava em fim de mandato e entrava num período eleitoral que conduziria à substituição, como presidente, de Francisco Van Zeller por António Saraiva.

Os fundadores acreditam que uma boa parte das 760 associações de base regional e setoriais vão aderir à nova estrutura. O acordo AEP/AIP prevê também a fusão numa única das suas câmaras de comércio e indústria.