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Os choques económicos do segundo semestre

Para o think tank francês Laboratoire Européen d'Anticipation Politique (LEAP)/Europe 2020, a China irá começar a "exportar" a sua inflação e os Estados Unidos serão obrigados a um programa duro de austeridade federal.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

A Grande Recessão entrou na fase de "deslocação geopolítica global", diz o Laboratório Europeu de Antecipação Política (LEAP)/Europa 2020, um think tank francês de prospectiva, que publica mensalmente um GlobalEurope Anticipation Bulletin (GEAB).

 O LEAP adianta que essa fase trará quatro "pontos singulares de colapso" em que qualquer desarranjo num deles provocará o bloqueio do sistema mundial, como numa rede computacional.

Esses quatro pontos são, no entender dos especialistas franceses:

a)      a consolidação do problema do endividamento soberano ocidental como "intolerável";

b)      o abandono da retórica e políticas de prioridade à retoma a favor da "estabilidade estrutural" (vulgo programas de austeridade);

c)      o início pela China da fase de "exportação" do seu sobreaquecimento económico interno com uma moeda subvalorizada;

d)     a inevitabilidade dos Estados Unidos avançarem para um programa federal de austeridade (arrisca-se o número de 1 bilião de dólares[trilião, na nomenclatura anglo-saxónica]  em cortes orçamentais nos próximos 3 a 5 anos) face ao risco de bancarrota de alguns Estados (como se tem observado nos casos mais graves da Califórnia e de Illinois) e ao próprio agravamento político interno com o primeiro teste eleitoral da Administração Obama nas eleições de meio do mandato em Novembro para o Congresso, o Senado, parlamentos estaduais e governadores. A consequência será uma recaída na contracção e uma média anual muito longe dos 3,5% de crescimento em 2010 anunciados pelo presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke.

A principal consequência geopolítica, arrisca o LEAP, será a manifesta incapacidade dos Estados Unidos, a primeira potência do mundo, em liderar o G20, de que se começaram a observar sinais na cimeira de Copenhaga em Dezembro de 2009 e, mais recentemente, a 3 e 4 de Junho, na reunião de ministros das Finanças do grupo dos 20 em Pusan, na Coreia do Sul. A multiplicação, por ora, de alianças à la carte e o aumento de linhas de fractura no G20 poderá ser o resultado. O que este choque geopolítico nos reserva serão as cenas dos próximos capítulos.